Desconfiança no STF bate recorde e chega a 60%, aponta pesquisa

Levantamento indica percepção de falta de imparcialidade e rejeição ao julgamento de caso envolvendo banco pela Corte

Ewertom Rodrigues

Publicado em: 20 de março de 2026

5 min.
Pesquisa AtlasIntel mostra que 60% dos brasileiros não confiam no STF, maior índice desde 2023

Pesquisa AtlasIntel mostra que 60% dos brasileiros não confiam no STF, maior índice desde 2023. - Foto: Fellipe Sampaio/STF

A confiança dos brasileiros no Supremo Tribunal Federal (STF) atingiu o menor nível da série histórica iniciada em 2023. Segundo pesquisa divulgada nesta sexta-feira (20) pela AtlasIntel, 60% da população afirmam não confiar na Corte, enquanto 34% dizem confiar e 6% não têm opinião formada.

O levantamento foi realizado entre os dias 16 e 19 de março, com 2.090 entrevistados em todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Queda de confiança ocorre em meio a crise institucional

A deterioração da imagem do STF ocorre em um contexto recente de desgaste envolvendo investigações relacionadas a uma instituição financeira e suspeitas de proximidade entre integrantes da Corte e empresários ligados ao caso.

De acordo com a pesquisa, a percepção de falta de imparcialidade pesa na avaliação pública:

  • 66,1% acreditam que há envolvimento de ministros no caso investigado
  • 14,9% discordam dessa avaliação
  • 18,9% não souberam responder

Além disso, a influência externa nas decisões do tribunal é apontada por grande parte dos entrevistados:

  • 76,9% veem forte interferência de atores políticos ou grupos de poder
  • 13% identificam alguma influência
  • Apenas 6,1% consideram os julgamentos estritamente técnicos

Maioria não quer STF julgando o caso

Outro dado relevante do estudo indica que mais da metade dos brasileiros não considera adequado que o STF conduza o julgamento do processo relacionado ao caso:

  • 53% são contrários
  • 36,9% são favoráveis
  • 10,1% não souberam opinar

A avaliação reforça a percepção de distanciamento entre a Corte e parte significativa da população.

Diferenças por renda e posição política

O nível de confiança no STF varia conforme o perfil dos entrevistados. Entre pessoas com renda acima de R$ 10 mil, há equilíbrio, com leve predominância de confiança. Já nas faixas intermediárias, a desconfiança é mais acentuada, chegando a quase 70%.

No recorte político, a divisão é ainda mais evidente:

  • Eleitores de Jair Bolsonaro apresentam rejeição quase total ao STF
  • Eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva demonstram maior confiança na instituição

Especialistas apontam impacto da polarização

Para analistas do direito constitucional, a queda na confiança está relacionada ao papel cada vez mais ativo do Supremo em temas políticos e à crescente polarização no país.

A avaliação é de que tribunais constitucionais tendem a sofrer desgaste quando passam a ser percebidos como atores políticos, o que pode comprometer a imagem de imparcialidade esperada pela sociedade.

Código de ética é visto como possível solução

Diante do cenário, propostas internas para reforçar a credibilidade da Corte começam a ganhar espaço. Uma delas é a criação de um código de ética para os ministros.

Segundo a pesquisa:

  • 57% consideram a medida prioridade
  • 18,6% avaliam como importante, mas não urgente
  • Cerca de 15% veem pouca ou nenhuma relevância

A iniciativa é discutida no âmbito do próprio STF como forma de fortalecer a transparência e a confiança pública.


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