A confiança dos brasileiros no Supremo Tribunal Federal (STF) atingiu o menor nível da série histórica iniciada em 2023. Segundo pesquisa divulgada nesta sexta-feira (20) pela AtlasIntel, 60% da população afirmam não confiar na Corte, enquanto 34% dizem confiar e 6% não têm opinião formada.
O levantamento foi realizado entre os dias 16 e 19 de março, com 2.090 entrevistados em todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Queda de confiança ocorre em meio a crise institucional
A deterioração da imagem do STF ocorre em um contexto recente de desgaste envolvendo investigações relacionadas a uma instituição financeira e suspeitas de proximidade entre integrantes da Corte e empresários ligados ao caso.
De acordo com a pesquisa, a percepção de falta de imparcialidade pesa na avaliação pública:
- 66,1% acreditam que há envolvimento de ministros no caso investigado
- 14,9% discordam dessa avaliação
- 18,9% não souberam responder
Além disso, a influência externa nas decisões do tribunal é apontada por grande parte dos entrevistados:
- 76,9% veem forte interferência de atores políticos ou grupos de poder
- 13% identificam alguma influência
- Apenas 6,1% consideram os julgamentos estritamente técnicos
Maioria não quer STF julgando o caso
Outro dado relevante do estudo indica que mais da metade dos brasileiros não considera adequado que o STF conduza o julgamento do processo relacionado ao caso:
- 53% são contrários
- 36,9% são favoráveis
- 10,1% não souberam opinar
A avaliação reforça a percepção de distanciamento entre a Corte e parte significativa da população.
Diferenças por renda e posição política
O nível de confiança no STF varia conforme o perfil dos entrevistados. Entre pessoas com renda acima de R$ 10 mil, há equilíbrio, com leve predominância de confiança. Já nas faixas intermediárias, a desconfiança é mais acentuada, chegando a quase 70%.
No recorte político, a divisão é ainda mais evidente:
- Eleitores de Jair Bolsonaro apresentam rejeição quase total ao STF
- Eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva demonstram maior confiança na instituição
Especialistas apontam impacto da polarização
Para analistas do direito constitucional, a queda na confiança está relacionada ao papel cada vez mais ativo do Supremo em temas políticos e à crescente polarização no país.
A avaliação é de que tribunais constitucionais tendem a sofrer desgaste quando passam a ser percebidos como atores políticos, o que pode comprometer a imagem de imparcialidade esperada pela sociedade.
Código de ética é visto como possível solução
Diante do cenário, propostas internas para reforçar a credibilidade da Corte começam a ganhar espaço. Uma delas é a criação de um código de ética para os ministros.
Segundo a pesquisa:
- 57% consideram a medida prioridade
- 18,6% avaliam como importante, mas não urgente
- Cerca de 15% veem pouca ou nenhuma relevância
A iniciativa é discutida no âmbito do próprio STF como forma de fortalecer a transparência e a confiança pública.
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