Eleição de Erika Hilton para comissão expõe tensão na esquerda

Disputa interna no PSOL, críticas políticas e polêmica com apresentador de TV ampliam debate após escolha para a Comissão da Mulher

Ewertom Rodrigues

Publicado em: 12 de março de 2026

5 min.
Eleição de Erika Hilton para Comissão da Mulher reacende disputa interna no PSOL e gera polêmica política e midiática

Eleição de Erika Hilton para Comissão da Mulher reacende disputa interna no PSOL e gera polêmica política e midiática. - Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

A escolha da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados provocou repercussão política e evidenciou divergências internas dentro do campo da esquerda no Congresso.

A eleição ocorreu em meio a articulações dentro da bancada do PSOL. Nos bastidores, aliados da deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ) defendiam que ela assumisse o comando do colegiado, citando sua atuação histórica em pautas relacionadas à representação feminina.

Com a vitória de Hilton, o episódio passou a ser interpretado por alguns parlamentares como um sinal de disputa interna por espaço e protagonismo político dentro do partido.

Bastidores no Congresso reacendem discussões

Após a eleição, conversas nos corredores da Câmara também resgataram um episódio envolvendo parlamentares ligados à esquerda.

Nos últimos meses, a separação entre o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) e a deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) gerou comentários entre parlamentares. O relacionamento entre os dois havia se tornado público em 2023.

Após o anúncio do fim da relação, ocorrido em janeiro, especulações circularam sobre possíveis impactos nas relações internas dentro do grupo político. Também surgiram rumores envolvendo a deputada Talíria Petrone, embora não haja confirmação oficial sobre qualquer vínculo nesse sentido.

Parlamentares evitam comentar vida pessoal

Procurado para comentar o assunto, Orlando Silva confirmou o término do relacionamento com Fernanda Melchionna, mas rejeitou qualquer especulação envolvendo outros parlamentares.

Segundo ele, o fim do relacionamento ocorreu de forma tranquila.

O deputado também afirmou estranhar a repercussão do tema no ambiente político, sugerindo que a exposição da situação pode ter motivações alheias à vida pessoal dos envolvidos.

Por meio de assessoria, Talíria Petrone informou que não comenta assuntos relacionados à vida privada e que segue concentrada nas atividades parlamentares.

A equipe da deputada Fernanda Melchionna também preferiu não se manifestar sobre o tema.

Debate político sobre representatividade

A eleição de Erika Hilton para comandar a Comissão da Mulher também abriu espaço para um debate político sobre representatividade no colegiado.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) comentou o assunto e afirmou que, na visão dela, pautas relacionadas aos direitos das pessoas trans deveriam ser tratadas em outros espaços institucionais.

A declaração gerou reações nas redes sociais e entre parlamentares de diferentes espectros políticos.

Polêmica após comentário em programa de TV

O tema ganhou ainda mais repercussão depois de declarações do apresentador Carlos Roberto Massa, o Ratinho, durante seu programa de televisão exibido na noite de quarta-feira (11).

Na atração, o apresentador criticou a escolha de Hilton para o comando da comissão e mencionou sua identidade de gênero.

Em resposta, a deputada afirmou que decidiu acionar a Justiça contra o comunicador, alegando que as declarações representaram um ataque não apenas contra ela, mas também contra mulheres trans.

O episódio ampliou o debate público sobre identidade de gênero, representação política e limites do discurso no espaço público.


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