Às vésperas de uma nova rodada de negociações sobre o programa nuclear iraniano, o governo dos Estados Unidos emitiu um alerta oficial recomendando que cidadãos americanos deixem o Irã imediatamente. O comunicado foi divulgado nesta sexta-feira (6) pela Embaixada Virtual dos EUA no Irã e ocorre em meio ao aumento das tensões diplomáticas e militares entre Washington e Teerã.
Segundo o aviso, os americanos devem se preparar para sair do país sem depender de qualquer tipo de assistência do governo dos Estados Unidos. A recomendação foi feita no mesmo dia em que representantes dos dois países participaram de conversas indiretas em Omã, que, de acordo com o governo iraniano, já foram encerradas.
Restrições e clima de instabilidade no Irã
No comunicado, a embaixada americana destaca que o Irã enfrenta um cenário de segurança instável, com medidas restritivas em andamento. Entre os principais pontos citados estão:
- Reforço das medidas de segurança em diversas regiões;
- Fechamento de estradas e interrupções no transporte público;
- Bloqueios e limitações severas no acesso à internet móvel e fixa;
- Cancelamento ou redução de voos internacionais de e para o país.
Diante desse cenário, o governo dos EUA orienta que, caso seja seguro, os cidadãos considerem deixar o Irã por via terrestre, seguindo para países vizinhos como Armênia ou Turquia. Para aqueles que não conseguirem sair, a recomendação é permanecer em um local seguro e manter estoques de alimentos, água, medicamentos e outros itens essenciais.
Histórico de alertas e escalada de tensão
Este não é o primeiro alerta emitido pelos Estados Unidos com esse teor. Comunicados semelhantes já haviam sido divulgados em outras ocasiões, incluindo janeiro deste ano, quando o então presidente Donald Trump avaliava a possibilidade de um ataque direto ao Irã em meio à repressão a manifestações internas.
As conversas realizadas nesta sexta-feira seriam o primeiro encontro oficial entre Teerã e Washington desde o aumento das tensões em junho do ano passado. Na ocasião, uma guerra de 12 dias entre Irã e Israel resultou em ataques aéreos americanos que danificaram gravemente três das principais instalações nucleares iranianas.
Exigências dos EUA e reação iraniana
De acordo com informações do governo americano, Washington exige que o Irã descarte seus estoques de urânio enriquecido, limite o programa de mísseis balísticos e interrompa o apoio financeiro e militar a grupos armados no Oriente Médio. Donald Trump voltou a ameaçar ações militares caso Teerã não atenda às exigências.
O Irã, por sua vez, classificou as condições impostas pelos Estados Unidos como uma violação inaceitável de sua soberania. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que o país se defenderá contra “quaisquer exigências excessivas ou aventureirismo” por parte dos EUA.
Após reunião com o chanceler de Omã, Badr al-Busaidi, Araghchi declarou que o Irã adotará uma abordagem diplomática para proteger seus interesses nacionais, mas garantiu que a soberania e a segurança do país serão defendidas.
Negociações difíceis e risco de novo conflito
Apesar de ambos os lados sinalizarem disposição para retomar o diálogo, as divergências sobre a agenda das negociações indicam um caminho difícil. Enquanto os Estados Unidos defendem discussões mais amplas, incluindo mísseis balísticos, apoio a grupos armados e questões internas do Irã, Teerã quer limitar as conversas exclusivamente ao tema nuclear.
Em junho, os Estados Unidos atacaram alvos nucleares iranianos durante bombardeios israelenses que marcaram o conflito de 12 dias na região. Desde então, o governo iraniano afirma ter interrompido as atividades de enriquecimento de urânio, embora o tema siga no centro das tensões no Oriente Médio.
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