O governo dos Estados Unidos recuou oficialmente na forma como acusa o ditador deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, ao retirar a imputação direta de que ele lideraria o chamado Cartel de Los Soles. A mudança consta em uma versão reescrita da acusação judicial apresentada pelo Departamento de Justiça norte-americano e representa uma alteração significativa na linguagem adotada desde 2020.
A revisão foi divulgada no último sábado (3), mesmo dia em que uma operação militar sem precedentes foi realizada em Caracas para a prisão de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. A ação provocou forte repercussão internacional e foi amplamente criticada por governos e organismos multilaterais.
O que mudou na acusação contra Maduro
Segundo análise do jornal The New York Times, a nova denúncia abandona a tese de que Maduro seria o “chefe de uma organização terrorista narcotraficante”. No texto atualizado, o ex-presidente venezuelano passa a ser acusado de:
- Participar, proteger e perpetuar um sistema de corrupção ligado ao tráfico de drogas;
- Lucrar politicamente e financeiramente com essa estrutura;
- Favorecer militares e aliados por meio de concessões e proteção institucional.
Apesar do recuo retórico, Maduro continuará respondendo a quatro acusações criminais nos Estados Unidos:
- Conspiração para narcoterrorismo;
- Conspiração para tráfico internacional de cocaína;
- Posse de metralhadoras e dispositivos explosivos;
- Conspiração para uso de armas de guerra no narcotráfico.
Cartel de Los Soles perde centralidade
Outro ponto relevante da nova denúncia é a redefinição do Cartel de Los Soles. Antes tratado como uma organização criminosa estruturada e liderada diretamente por Maduro, o grupo passou a ser descrito como um “termo guarda-chuva” que engloba redes de narcotráfico operadas por setores da elite política e militar venezuelana.
No documento do Departamento de Justiça, o cartel é citado apenas duas vezes e descrito como um sistema informal de clientelismo, sem hierarquia definida, que permite o fluxo de recursos ilegais para oficiais civis, militares e de inteligência.
Especialistas já vinham questionando a existência do Cartel de Los Soles como uma organização centralizada, nos moldes de cartéis clássicos da América Latina.
O que dizem os especialistas
Para Jeremy McDermott, cofundador do centro de estudos InSight Crime, o Cartel de Los Soles não funciona como estruturas conhecidas, como o Cartel de Sinaloa ou o Cartel de Medellín. Segundo ele, trata-se de uma “rede de redes” formada por militares e agentes políticos de diferentes patentes.
Ainda de acordo com o pesquisador, embora Maduro não seja necessariamente o líder formal do esquema, ele figura como um dos principais beneficiários de um modelo de “governança criminal híbrida”, no qual o Estado não controla diretamente o tráfico, mas concede permissões e proteção em troca de apoio político e manutenção do poder.
Audiência em Nova York
Maduro foi formalmente acusado em audiência realizada em Nova York na segunda-feira (5). Na ocasião, declarou-se inocente e afirmou ser um “prisioneiro de guerra”, reforçando o tom político de sua defesa.
A reformulação da denúncia ocorre em meio ao agravamento das tensões entre Washington e Caracas ao longo de 2025 e levanta questionamentos sobre a estratégia jurídica e diplomática adotada pelos Estados Unidos em relação ao regime venezuelano.
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