Lewandowski manteve contrato milionário com banco Master após assumir Ministério da Justiça

O contrato previa pagamentos mensais de R$ 250 mil e rendeu cerca de R$ 6,5 milhões ao longo de sua vigência

Eduardo Fogaça

Publicado em: 27 de janeiro de 2026

5 min.
Lewandowski manteve contrato milionário com banco Master após assumir Ministério da Justiça. Foto: Divulgação/Metrópoles

Lewandowski manteve contrato milionário com banco Master após assumir Ministério da Justiça. Foto: Divulgação/Metrópoles

O escritório de advocacia da família do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski manteve um contrato de consultoria jurídica com o Banco Master por quase dois anos após ele assumir o comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O contrato previa pagamentos mensais de R$ 250 mil e rendeu cerca de R$ 6,5 milhões ao longo de sua vigência.

O acordo foi assinado em 28 de agosto de 2023, quando Lewandowski já havia deixado o STF, e seguiu ativo até setembro de 2025. Desse total, aproximadamente R$ 5,25 milhões foram pagos depois de o ex-ministro assumir a pasta da Justiça, em janeiro de 2024, permanecendo em vigor por 21 meses durante sua passagem pelo ministério.

Indicação política e valores do contrato

De acordo com apuração da coluna, a contratação do escritório Lewandowski Advocacia pelo Banco Master atendeu a um pedido do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Procurado, o senador confirmou ter indicado Ricardo Lewandowski para a função de consultor do banco.

O contrato tinha como objeto a “prestação de serviços de consultoria jurídica e institucional de caráter estratégico” e previa, entre outras atribuições, a participação de Lewandowski em reuniões do Comitê Estratégico do Banco Master.

Participação limitada e atuação dos filhos

Apesar da previsão contratual, Lewandowski participou de apenas duas reuniões do comitê estratégico durante todo o período do contrato, segundo informações apuradas. Com a ida do ex-ministro para o MJSP, o escritório passou a ser representado formalmente por seu filho, o advogado Enrique de Abreu Lewandowski.

Ainda de acordo com a apuração, Enrique não teria realizado entregas relevantes ao banco, mesmo com a continuidade dos pagamentos mensais. Atualmente, o escritório Lewandowski Advocacia tem como sócios Enrique de Abreu Lewandowski e Yara de Abreu Lewandowski, ambos filhos do ex-ministro.

Saída formal e nota da defesa

Ao assumir o Ministério da Justiça, Ricardo Lewandowski deixou formalmente a sociedade de advogados em 17 de janeiro de 2024 e suspendeu seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), segundo informou sua assessoria.

Em nota, o ministro afirmou que, após deixar o STF em abril de 2023, retornou à advocacia e prestou serviços ao Banco Master, entre outros clientes. O texto reforça que, ao aceitar o convite para integrar o governo federal, ele se retirou do escritório e deixou de atuar em qualquer caso jurídico.

Outras indicações e posicionamento do banco

Jaques Wagner também foi citado como responsável por indicar o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega ao Banco Master, informação que ele nega. Em nota, o senador afirmou que apenas sugeriu o nome de Lewandowski como jurista qualificado, cabendo ao banco a decisão final pela contratação.

A defesa de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, declarou que as contratações de consultores ocorreram “dentro de parâmetros profissionais, regulares e técnicos”.


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