Líderes da América Latina divergem sobre captura de Nicolás Maduro

A situação elevou a tensão política na América Latina e reacendeu o debate sobre intervenções militares externas e seus impactos regionais.

Eduardo Fogaça

Publicado em: 3 de janeiro de 2026

6 min.
Líderes da América Latina divergem sobre captura de Nicolás Maduro. Foto: Divulgação

Líderes da América Latina divergem sobre captura de Nicolás Maduro. Foto: Divulgação

Os presidentes da Colômbia e de Cuba manifestaram preocupação e condenaram a escalada do conflito na Venezuela após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmar ataques militares no país e anunciar a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Em contraste, o presidente da Argentina, Javier Milei, comemorou publicamente a operação conduzida pelos norte-americanos.

A situação elevou a tensão política na América Latina e reacendeu o debate sobre intervenções militares externas e seus impactos regionais.

Reações de Colômbia e Cuba

O presidente colombiano, Gustavo Petro, utilizou a rede social X para rejeitar qualquer ação militar unilateral que possa agravar o cenário venezuelano ou colocar em risco a população civil. Segundo ele, a Colômbia acompanha os acontecimentos com “profunda preocupação” e defendeu que todas as partes envolvidas busquem a redução das tensões.

Petro evitou mencionar diretamente os Estados Unidos, mas destacou a necessidade de soluções diplomáticas para evitar consequências humanitárias e instabilidade regional.

Já o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, foi mais direto ao criticar o que classificou como um ataque “criminoso” dos Estados Unidos contra a Venezuela. Também em publicação no X, o líder cubano condenou a ação militar e reforçou o discurso histórico de Havana contra intervenções norte-americanas na América Latina.

Confirmação dos ataques pelos Estados Unidos

Donald Trump confirmou que forças militares dos Estados Unidos realizaram ataques na Venezuela e afirmou que Nicolás Maduro foi capturado e retirado do país. De acordo com o presidente norte-americano, a operação faz parte de uma ofensiva mais ampla contra o regime chavista.

Nos últimos meses, o Pentágono vinha deslocando um grande contingente militar para a região do Caribe, além de realizar operações contra embarcações venezuelanas, sob a justificativa de combate ao narcotráfico.

Milei celebra captura de Maduro

Na contramão das condenações, o presidente da Argentina, Javier Milei, celebrou a captura de Nicolás Maduro na manhã deste sábado. Em publicação no X, o argentino escreveu: “Liberdade avança, viva a liberdade”, ao comentar uma notícia que confirmava a prisão de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, após uma operação militar de grande escala liderada pelos Estados Unidos.

Aliado político e ideológico de Donald Trump, Milei mantém uma postura crítica ao chavismo há anos. O presidente argentino costuma classificar Maduro como “ditador” e defende o isolamento internacional do regime venezuelano.

Escalada recente entre EUA e Venezuela

As tensões entre Washington e Caracas se intensificaram a partir de agosto de 2025, quando os Estados Unidos elevaram para 50 milhões de dólares a recompensa por informações que levassem à captura de Maduro, acusando-o de liderar atividades ligadas ao narcotráfico.

Desde então, os EUA reforçaram a presença militar no Caribe, inicialmente sob o argumento de combate ao tráfico de drogas. No entanto, fontes norte-americanas indicaram que o objetivo estratégico seria a derrubada do regime venezuelano.

Nas últimas semanas, forças americanas apreenderam petroleiros venezuelanos e impuseram bloqueios a embarcações sancionadas. Trump também acusou Maduro de “roubar” os Estados Unidos e demonstrou interesse nas vastas reservas de petróleo da Venezuela. A ofensiva culminou neste sábado com a captura do presidente venezuelano e de Cilia Flores, que foram retirados do país.


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