O Movimento Catarinense Pró-Cannabis Medicinal foi lançado em Florianópolis com a proposta de ampliar o acesso gratuito a medicamentos à base de cannabis e estruturar uma cadeia produtiva no estado. O encontro reuniu centenas de participantes e marcou também a definição de um nome para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc): o ativista Pedro Sabaciauskis, conhecido como Pedro Santa Cannabis, com apoio da deputada estadual Paulinha.
Em entrevista à Rádio Cidade Tubarão 103.7 FM, Sabaciauskis detalhou os objetivos do movimento, os desafios da pauta e o impacto do tratamento na vida de pacientes.
Segundo ele, o Brasil vive um momento decisivo para o avanço da cannabis medicinal. “A gente chegou num momento muito importante da cannabis medicinal, que foi o reconhecimento da Anvisa referente ao trabalho que as associações fazem, a regulamentação do cultivo medicinal em território brasileiro e a liberação para pesquisa”, afirmou.
Proposta envolve saúde pública e desenvolvimento econômico
O movimento defende dois caminhos para ampliar o acesso aos medicamentos: a importação ou a criação de uma cadeia produtiva própria em Santa Catarina. A segunda opção é a principal aposta do grupo.
“A gente pode construir a cadeia produtiva catarinense. O movimento é sobre isso: transformar essa regulamentação numa política pública de saúde atrelada a uma política de desenvolvimento econômico e social”, explicou Sabaciauskis à Rádio Cidade Tubarão.
De acordo com ele, a demanda no estado pode chegar a até 1,5 milhão de pacientes. A proposta inclui produção regional, com foco em reduzir custos ao Sistema Único de Saúde (SUS).
“Produzir de catarinense para catarinense pode gerar uma economia de até 60% para o SUS, que hoje é impactado por medicamentos importados”, destacou.
Cadeia produtiva pode gerar empregos em diversas áreas
Além do impacto na saúde, o projeto prevê geração de emprego e renda em diferentes setores. Entre os profissionais envolvidos estariam agricultores, médicos, enfermeiros, farmacêuticos e pesquisadores.
“A gente está diante de uma oportunidade única. Isso vai gerar emprego, renda e pesquisa para universidades e profissionais de Santa Catarina”, afirmou.
O modelo também prevê incentivo à agricultura familiar, com organização regional da produção e garantia de compra pelo Estado para distribuição no SUS.
Cultivo exige regras rígidas e controle rigoroso
Sabaciauskis ressaltou que o cultivo da cannabis medicinal segue regras rigorosas estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o que diferencia a atividade de outras culturas agrícolas.
“Não é como plantar alface. Vai ter que ser em lugar murado, com segurança 24 horas, controle de acesso e supervisão técnica”, explicou à Rádio Cidade Tubarão 103.7 FM.
Ele também destacou que a maior parte dos medicamentos utiliza o CBD, substância sem efeito psicoativo. “Esse é o primeiro mito que a gente precisa desmistificar. Não serve para uso recreativo”, disse.
Pré-candidatura à Alesc reforça pauta política
Durante o lançamento do movimento, Pedro Sabaciauskis confirmou sua pré-candidatura a deputado estadual pelo Podemos. A ideia, segundo ele, é levar o tema para dentro do Legislativo.
“A ideia de ser pré-candidato é ter alguém lá dentro que saiba do que está falando quando se trata de cannabis medicinal”, afirmou.
Ele defende a criação de uma bancada temática, com participação de profissionais da saúde, pesquisadores e representantes de pacientes.
“A gente está falando de qualidade de vida para até 1,5 milhão de catarinenses, mas também de desenvolvimento econômico, social e de pesquisa”, completou.
Expansão para outras áreas da indústria
Além do uso medicinal, o movimento também pretende ampliar o debate sobre o uso industrial da cannabis, incluindo produção de fibras, tecidos, cosméticos e até materiais de construção.
“A gente precisa lutar também pela produção industrial, como fibra, concreto de hemp, tecido e cosméticos. É um futuro muito grande”, afirmou.
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