Novo líder supremo do Irã promete vingança contra EUA e Israel

A declaração foi divulgada pela mídia estatal iraniana e marca a primeira manifestação oficial de Mojtaba após a morte de seu pai, o aiatolá Ali Khamenei

Eduardo Fogaça

Publicado em: 12 de março de 2026

6 min.
Novo líder supremo do Irã promete vingança contra EUA e Israel. Foto: Reprodução/REUTERS

Novo líder supremo do Irã promete vingança contra EUA e Israel. Foto: Reprodução/REUTERS

No primeiro pronunciamento público desde que assumiu como Líder Supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei prometeu, nesta quinta-feira (12), vingança contra Israel e os Estados Unidos pela morte de iranianos durante o conflito recente no Oriente Médio. O novo chefe de Estado afirmou ainda que manterá o bloqueio do Estreito de Ormuz e continuará os ataques contra bases militares consideradas inimigas na região.

A declaração foi divulgada pela mídia estatal iraniana e marca a primeira manifestação oficial de Mojtaba após a morte de seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, assassinado em um bombardeio no primeiro dia da guerra.

Segundo o novo líder, o Irã não abandonará a busca por retaliação. “Não abandonaremos a busca por vingança. Cada membro da nação que é martirizado pelo inimigo é um sujeito independente no dossiê de retribuição”, declarou.

Bloqueio do Estreito de Ormuz preocupa mercados

Durante o pronunciamento, Mojtaba Khamenei também reforçou que o Irã continuará utilizando o bloqueio do Estreito de Ormuz como instrumento estratégico.

A passagem marítima é considerada uma das rotas mais importantes do comércio mundial de energia, por onde transitam cerca de 25% do petróleo consumido no planeta. A interrupção parcial ou total do fluxo tem provocado instabilidade nos mercados internacionais e levado alguns países a discutir a liberação de reservas estratégicas de petróleo.

Apoio ao chamado “Eixo da Resistência”

O novo líder iraniano também reafirmou o apoio do país ao chamado Eixo da Resistência, uma aliança informal de grupos armados e movimentos políticos do Oriente Médio que inclui organizações como Hamas e Hezbollah.

Segundo Mojtaba, o suporte a esses grupos faz parte dos princípios da Revolução Islâmica e continuará sendo uma prioridade da política externa iraniana.

Ele também afirmou que pretende cobrar indenizações pelos danos econômicos causados pela guerra.

Entre as medidas citadas estão:

  • exigir compensações financeiras dos adversários;
  • confiscar bens considerados ligados aos inimigos;
  • destruir propriedades equivalentes caso não haja pagamento.

Relação com países vizinhos

Apesar do tom duro contra Israel e os Estados Unidos, Mojtaba Khamenei declarou que deseja manter relações “cordiais e construtivas” com os países que fazem fronteira com o Irã, tanto por terra quanto por mar.

Ainda assim, ele acusou alguns desses países de permitir que bases militares fossem utilizadas para ataques contra território iraniano.

Segundo o líder, o Irã continuará mirando essas instalações específicas, sem atacar diretamente os países anfitriões.

Resolução da ONU e tensão regional

Na quarta-feira (11), o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas aprovou uma resolução pedindo que o Irã interrompa ataques contra países árabes da região. A proposta foi apresentada pelo Bahrein e teve abstenções da China e da Rússia.

No pronunciamento, Mojtaba também pediu que os países que hospedam bases militares dos Estados Unidos revejam suas posições e considerem fechá-las.

Apelo por unidade interna

O novo líder supremo também fez um apelo à união da sociedade iraniana diante do conflito. Ele afirmou que diferenças internas devem ser deixadas de lado diante do que classificou como agressões externas.

Mojtaba lembrou ainda que perdeu vários familiares nos ataques recentes, incluindo o pai, a esposa, uma irmã e um sobrinho.

Como funciona a escolha do líder supremo no Irã

No sistema político iraniano, o Líder Supremo é a autoridade máxima do país. Ele é eleito pela Assembleia dos Especialistas, órgão formado por 88 clérigos escolhidos por voto popular.

Apesar de o cargo ser vitalício, a Constituição permite que a assembleia destitua o líder caso considere necessário.

Além de exercer grande influência política e religiosa, o Líder Supremo tem controle direto sobre as Forças Armadas e participa das decisões estratégicas do Estado.


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