PLP 152/2025 pode mudar regras do trabalho por aplicativo no Brasil

Projeto em debate no Congresso cria modelo específico para motoristas e entregadores, com contribuição obrigatória ao INSS e piso mínimo por hora

Ewertom Rodrigues

Publicado em: 17 de fevereiro de 2026

6 min.
PLP 152/2025 propõe direitos previdenciários e piso mínimo para trabalhadores de aplicativos sem vínculo CLT

PLP 152/2025 propõe direitos previdenciários e piso mínimo para trabalhadores de aplicativos sem vínculo CLT. - Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O Congresso Nacional discute em 2026 um dos temas mais sensíveis do mercado de trabalho brasileiro: a regulamentação do trabalho por aplicativo. O foco está no PLP 152/2025, projeto de lei complementar que propõe a criação da figura do “trabalhador autônomo plataformizado”, com garantia de direitos previdenciários sem enquadramento na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

A proposta busca equilibrar dois pontos centrais do debate: assegurar proteção social — como aposentadoria e auxílio-doença — e manter a flexibilidade de horários, característica valorizada por motoristas e entregadores que atuam por meio de plataformas digitais.

O que prevê o PLP 152/2025

O projeto formaliza a atuação de trabalhadores que prestam serviços intermediados por aplicativos de transporte, entrega e serviços gerais. A ideia é criar um modelo jurídico próprio, diferente tanto do vínculo celetista quanto da informalidade atual.

Na prática, o texto prevê:

  • Desconto direto na fonte para contribuição à Previdência Social;
  • Direito à aposentadoria por idade ou invalidez;
  • Acesso a auxílio-doença;
  • Garantia de salário-maternidade;
  • Instituição de um piso mínimo por hora trabalhada, ainda a ser definido.

A proposta estabelece que, além da remuneração mínima, os trabalhadores passem a contar com cobertura previdenciária, algo que hoje depende de contribuição individual facultativa.

Impacto econômico e reação do setor

O principal ponto de tensão envolve os efeitos financeiros da medida. Atualmente, o valor das corridas e entregas é definido por algoritmos das plataformas. Com a nova regra, a criação de um piso mínimo obrigatório pode alterar a dinâmica de preços.

A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) manifestou preocupação com o texto. Segundo o diretor executivo da entidade, André Porto, o projeto pode gerar aumento no custo do transporte de passageiros e mercadorias.

“O PLP 152/25 é trágico para todos, do setor produtivo aos consumidores. Determina controle de preços e traz graves consequências econômicas, inclusive para os trabalhadores. Desde o início, o setor defende um marco regulatório equilibrado, que preserve viabilidade econômica dos aplicativos, garanta remuneração mínima e proteção social aos motoristas e entregadores. O debate técnico e a visão macro, considerando as consequências para a sociedade, é que devem reger a regulamentação. Mas, por ora, o texto está no sentido oposto”, afirmou Porto durante encontro com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), em Brasília.

Governo acelera articulação política

Diante da complexidade do tema, o Palácio do Planalto decidiu intensificar a articulação para avançar com a proposta ainda no primeiro trimestre de 2026.

Sob chancela do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a mediação passou a ser conduzida pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, que divide a condução do tema com o ministro do Trabalho, Luiz Marinho.

A estratégia do governo é acelerar a tramitação na Câmara dos Deputados. Para isso, Boulos e Marinho agendaram reunião com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), em fevereiro.

O que está em jogo

O debate sobre o PLP 152/2025 reflete uma transformação estrutural no mercado de trabalho brasileiro. De um lado, trabalhadores reivindicam proteção social mínima diante da crescente dependência das plataformas digitais. De outro, empresas alertam para o risco de perda de competitividade e aumento de custos.

O desafio do Congresso será encontrar um ponto de equilíbrio entre:

  • Segurança jurídica para as plataformas;
  • Garantia de renda mínima;
  • Proteção previdenciária;
  • Manutenção da autonomia do trabalhador.

A decisão poderá redefinir o futuro de milhões de brasileiros que dependem dos aplicativos como principal fonte de renda.


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