O assoreamento da Barra do Camacho, em Jaguaruna, voltou a ser motivo de preocupação para pescadores artesanais da região. O problema, segundo a categoria, impede a entrada do pescado na lagoa e compromete diretamente a atividade pesqueira. O tema foi abordado em entrevista concedida pelo presidente da Associação de Pescadores de Jaguaruna, Jaime Mariano, conhecido como Pitbull, ao repórter Matheus Machado.
No relato, Pitbull afirmou que a situação se arrasta há anos e criticou a falta de ações efetivas do poder público municipal. De acordo com ele, mesmo com a concessão de uso de uma draga obtida em gestões anteriores, o equipamento nunca foi utilizado de forma adequada para resolver o problema do banco de areia que se formou na barra.
Dragagem não executada e prejuízos à pesca
Segundo o presidente da associação, durante a gestão do ex-governador Carlos Moisés, a entidade conseguiu a concessão da draga que poderia ter sido utilizada para desassorear a barra. No entanto, o equipamento acabou ficando inutilizado dentro da lagoa.
Pitbull destacou que houve, inclusive, dispensa de licitação para contratação de uma draga, mas a oportunidade não foi aproveitada pela administração municipal. Para os pescadores, a falta de uma barra aberta e forte faz com que o pescado retorne ao mar, prejudicando diretamente a pesca artesanal, principal fonte de renda de diversas famílias da região.
Risco de enchentes e impactos regionais
Além dos prejuízos econômicos, o assoreamento também representa risco ambiental e hidrológico. De acordo com Pitbull, a formação da chamada “coroa” de areia dificulta a saída da água da lagoa para o mar em períodos de chuvas intensas, o que pode agravar enchentes não apenas em Jaguaruna, mas também em municípios da região, como Tubarão.
Ele lembrou que comunidades que vivem no entorno da lagoa do Camacho, Garopaba e outras localidades dependem diretamente do equilíbrio desse sistema para garantir segurança e sustento.
Falta de diálogo com a prefeitura é principal crítica
Outro ponto central da entrevista foi a crítica à falta de diálogo entre a prefeitura de Jaguaruna e os pescadores artesanais. Segundo Pitbull, não há uma aproximação efetiva da gestão municipal para ouvir quem vive diariamente da pesca e conhece a dinâmica natural da barra e da lagoa.
O presidente ressaltou que a Secretaria de Estado da Pesca, por meio do secretário Tiago Frigo, demonstrou disposição para colaborar, mas que qualquer avanço depende de iniciativa do Executivo municipal. Ele também mencionou a existência de um projeto em discussão na Associação dos Municípios da Região de Laguna (Amurel) para a ampliação dos molhes, o que poderia ajudar a resolver o problema de forma mais definitiva.
Experiência dos pescadores é ignorada, diz presidente
Com mais de seis décadas de atuação na pesca artesanal, Pitbull afirmou que os pescadores locais acumulam conhecimento prático sobre o comportamento das águas, especialmente em situações de cheias, como as enchentes históricas de 1974 e 2022.
Para ele, falta ao município uma estrutura específica para tratar da pesca artesanal, como a criação de uma diretoria exclusiva dentro da Secretaria de Agricultura e Pesca, com alguém que conheça a realidade da atividade no dia a dia.
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