“Quero levar isso a quem não tem condições”, diz deputado sobre remédio contra obesidade

Em entrevista à Rádio Cidade Tubarão 103.7 FM, o deputado Sérgio Motta explicou os objetivos do projeto e detalhou o andamento da proposta

Eduardo Fogaça

Publicado em: 11 de março de 2026

7 min.
“Quero levar isso a quem não tem condições”, diz deputado sobre remédio contra obesidade. Foto: Divulgação/Agência AL

“Quero levar isso a quem não tem condições”, diz deputado sobre remédio contra obesidade. Foto: Divulgação/Agência AL

Um projeto apresentado na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) propõe a criação de uma política pública para o fornecimento gratuito do medicamento tirzepatida, conhecido comercialmente como Mounjaro, para pacientes com obesidade grau III. A proposta é de autoria do deputado estadual Sérgio Motta (Republicanos).

O medicamento é aplicado por meio de canetas injetáveis e tem sido utilizado no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade, com resultados associados à perda de peso e melhora de indicadores metabólicos.

Apesar de já ter avançado em comissões da Alesc, o projeto enfrenta resistência do governo do Estado, que colocou um freio na tramitação da proposta.

Entrevista à Rádio Cidade Tubarão

Em entrevista à Rádio Cidade Tubarão 103.7 FM, o deputado Sérgio Motta explicou os objetivos do projeto e detalhou o andamento da proposta no Legislativo catarinense.

Segundo ele, a iniciativa já avançou em duas comissões da Alesc e agora aguarda novos pareceres.

“Nossa ideia é levar esse tratamento para pessoas que sofrem com obesidade e não têm condições de pagar. O projeto passou na Comissão de Constituição e Justiça e também teve parecer favorável na Comissão de Finanças. Agora vamos aguardar o retorno para seguir a tramitação”, afirmou.

Projeto já passou por duas comissões

De acordo com o parlamentar, o projeto foi aprovado inicialmente na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e depois recebeu parecer favorável na Comissão de Finanças e Tributação.

No entanto, um pedido de vista interrompeu temporariamente a análise.

A proposta ainda precisa voltar à Comissão de Finanças antes de seguir para avaliação da Comissão de Saúde e, posteriormente, ser votada em plenário pelos deputados estaduais.

Tratamento pode ser mais barato que cirurgia

Durante a entrevista, Motta defendeu que o tratamento com tirzepatida pode representar economia para os cofres públicos, especialmente quando comparado ao custo da cirurgia bariátrica, procedimento já coberto pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

“A cirurgia bariátrica exige preparação, internação e todo um acompanhamento pós-cirúrgico. O tratamento com tirzepatida pode chegar a custar um terço do valor e não envolve procedimento invasivo”, afirmou.

Segundo ele, a proposta busca ampliar alternativas de tratamento para pacientes com obesidade grave atendidos pela rede pública.

Experiência pessoal motivou o projeto

O deputado também relatou que sua experiência pessoal com o medicamento influenciou na decisão de apresentar o projeto.

Ele afirmou que perdeu 32 quilos em seis meses após iniciar o tratamento, além de observar melhorias significativas em indicadores de saúde.

“Eu sou testemunha disso. Perdi 32 quilos em seis meses e melhorou todos os meus índices. Eu estava pré-diabético e não tenho mais pré-diabetes”, relatou.

O parlamentar também mencionou melhora na pressão arterial e redução de gordura no fígado.

Obesidade pode causar diversas doenças

Segundo Motta, a obesidade está associada à chamada síndrome metabólica, conjunto de doenças relacionadas ao excesso de peso.

Entre os problemas frequentemente associados estão:

  • hipertensão arterial;
  • diabetes tipo 2;
  • apneia do sono;
  • doenças cardiovasculares;
  • gordura no fígado.

“A obesidade traz várias doenças associadas. A gente quer evitar que essas pessoas tenham complicações e oferecer qualidade de vida”, afirmou.

Proposta busca ampliar acesso ao tratamento

Durante a entrevista, o deputado também destacou que muitas pessoas não conseguem pagar pelo medicamento devido ao alto custo.

Ele relatou ter conversado com pacientes que desejam realizar o tratamento, mas não têm condições financeiras.

“Conversei com uma senhora que chegou a chorar dizendo que queria fazer o tratamento, mas não tinha condições de comprar o remédio. Quero levar isso às pessoas que sofrem com essa doença”, disse.

Próximos passos do projeto

Para se tornar lei em Santa Catarina, a proposta ainda precisa passar por novas etapas na Alesc:

  • retorno à Comissão de Finanças e Tributação;
  • análise da Comissão de Saúde;
  • votação no plenário da Assembleia Legislativa;
  • eventual sanção do governo do Estado.

O debate sobre o tema deve continuar nas próximas semanas no Legislativo catarinense.


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