Senado avança com projeto que torna misoginia crime

Proposta equipara prática ao racismo e prevê prisão, multa e punições mais rigorosas

Ewertom Rodrigues

Publicado em: 24 de março de 2026

4 min.
Senado aprova projeto que criminaliza misoginia e equipara ao racismo; texto prevê prisão e segue para a Câmara

Senado aprova projeto que criminaliza misoginia e equipara ao racismo; texto prevê prisão e segue para a Câmara. - Foto: Ana Volpe/Agência Senado

O Senado Federal aprovou nesta terça-feira (24) um projeto de lei que transforma a misoginia em crime no Brasil, equiparando a prática ao racismo. A proposta ainda precisa passar pela Câmara dos Deputados antes de entrar em vigor.

Na prática, o texto inclui a misoginia na Lei do Racismo, o que torna esse tipo de crime mais grave, com regras mais rígidas de punição, como a impossibilidade de fiança e a não prescrição.

Entenda o que caracteriza misoginia

A proposta considera misoginia qualquer conduta baseada em ódio, aversão ou discriminação contra mulheres. Essas atitudes podem ocorrer em diferentes contextos e incluem:

  • Tratamentos humilhantes ou constrangedores
  • Ações que exponham ou intimidem mulheres
  • Discriminação em razão do gênero
  • Violência verbal, psicológica ou simbólica

O texto também enquadra como crime situações em que mulheres recebem tratamento desigual em comparação a outros grupos, gerando constrangimento ou medo.

Punições previstas no projeto

Com a mudança, a misoginia passa a seguir as mesmas regras aplicadas a crimes de racismo. Veja os principais pontos:

  • Reclusão de 1 a 3 anos, além de multa
  • Crime imprescritível, ou seja, pode ser punido a qualquer tempo
  • Sem possibilidade de fiança

Em casos específicos, as penas são mais severas:

  • Injúria com motivação misógina: reclusão de 2 a 5 anos e multa
  • Crime cometido por duas ou mais pessoas: aumento de 50% da pena
  • Casos ligados à violência doméstica: punição pode ser dobrada

Além disso, crimes contra a honra, como calúnia e difamação, também podem ser enquadrados quando direcionados a mulheres por motivo de discriminação.

Próximos passos

O projeto é de autoria da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA) e teve relatoria da senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS).

Após a aprovação no Senado, o texto segue agora para análise da Câmara dos Deputados, onde ainda pode sofrer alterações antes de uma eventual sanção.

*Com informações do g1


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