Senado da Argentina aprova reforma trabalhista de Javier Milei

A proposta recebeu 42 votos favoráveis e 30 contrários, após mais de 13 horas de debate, e agora segue para nova votação na Câmara dos Deputados

Eduardo Fogaça

Publicado em: 13 de fevereiro de 2026

5 min.
Senado da Argentina aprova reforma trabalhista de Javier Milei. Foto: Divulgação

Senado da Argentina aprova reforma trabalhista de Javier Milei. Foto: Divulgação

O Senado da Argentina aprovou na madrugada desta quinta-feira (12) o projeto de reforma trabalhista proposto pelo presidente Javier Milei. A proposta recebeu 42 votos favoráveis e 30 contrários, após mais de 13 horas de debate, e agora segue para nova votação na Câmara dos Deputados.

A medida é considerada o principal eixo da agenda econômica do governo libertário, que defende a flexibilização das normas como estratégia para estimular investimentos e ampliar a geração de empregos formais no país.

Em comunicado após a votação, Milei classificou a reforma como um “ponto de virada na história trabalhista argentina”, afirmando que a iniciativa promove uma “transformação profunda” ao reduzir burocracias e atualizar regulamentações que considera defasadas diante das mudanças econômicas e tecnológicas.

Senadores da oposição, por outro lado, argumentaram que o texto enfraquece proteções trabalhistas consolidadas ao longo das últimas décadas.

O que muda com a reforma trabalhista na Argentina

O projeto aprovado pelo Senado prevê uma série de alterações nas regras atuais. Entre os principais pontos estão:

  • Flexibilização das contratações: novas modalidades contratuais e ajustes nas regras de vínculo empregatício.
  • Jornada de trabalho ampliada: possibilidade de extensão da jornada padrão de oito para até doze horas diárias.
  • Mudanças nas férias: alteração no sistema atual de concessão e organização do período de descanso.
  • Salário em moeda estrangeira: autorização para pagamento de remuneração em moedas diferentes do peso argentino.
  • Limites ao direito de greve: definição de requisitos mínimos para garantir a continuidade de serviços essenciais durante paralisações.
  • Revisão da indenização por demissão: simplificação do cálculo e exclusão de bônus que não fazem parte do salário regular da base de indenização.

Segundo o governo, as mudanças devem reduzir custos trabalhistas e aumentar a competitividade das empresas. Críticos apontam risco de precarização das condições de trabalho.

Ajustes feitos durante a tramitação

Antes da aprovação final, os senadores promoveram modificações no texto original enviado pelo Executivo. Entre as alterações:

  • Retirada da proposta que reduzia as alíquotas do imposto de renda de 35% para 31%, atendendo a pedido de governadores provinciais.
  • Manutenção da obrigatoriedade de que empregadores façam a cobrança automática das mensalidades sindicais, preservando o financiamento dos sindicatos.
  • Exclusão da cláusula que autorizava o pagamento de salários por meio de carteiras virtuais, após oposição do setor bancário tradicional.

Com as mudanças, o governo buscou ampliar o apoio político à proposta no Congresso.

Protestos e tensão nas ruas

A votação foi marcada por protestos em frente ao Congresso Nacional, em Buenos Aires. Manifestantes entraram em confronto com a polícia e lançaram coquetéis molotov durante o debate da quarta-feira (11).

Os confrontos impactaram serviços públicos na capital argentina, elevando o clima de tensão em torno da reforma.

Agora, o texto segue para análise da Câmara dos Deputados. Caso seja aprovado sem alterações, será sancionado pelo presidente Javier Milei e passará a integrar o novo marco trabalhista do país.


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