STF forma maioria para manter prisão do dono do banco Master

Votaram a favor da manutenção da prisão os ministros André Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques

Eduardo Fogaça

Publicado em: 13 de março de 2026

6 min.
STF forma maioria para manter prisão do dono do banco Master. Foto: Divulgação

STF forma maioria para manter prisão do dono do banco Master. Foto: Divulgação

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta sexta-feira (13) para manter a decisão que autorizou a terceira fase da Operação Compliance Zero e determinou a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco Master.

Votaram a favor da manutenção da prisão os ministros André Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques. Ainda falta o voto do ministro Gilmar Mendes. O julgamento ocorre no plenário virtual e os magistrados têm até a próxima sexta-feira (20) para registrar seus votos.

Esta é a primeira vez que o caso envolvendo o banco Master é analisado de forma colegiada pelo Supremo. Até então, as decisões sobre o processo haviam sido tomadas individualmente pelos ministros relatores.

Relator rebate argumentos da defesa

Autor da decisão que determinou a prisão, o ministro André Mendonça voltou a votar no julgamento e rebateu argumentos apresentados pela defesa de Daniel Vorcaro.

Segundo o relator, as mensagens que fundamentaram a nova fase da operação foram extraídas do primeiro celular do banqueiro, apreendido em novembro do ano passado.

Mendonça afirmou que não seria necessário aguardar a análise de todos os aparelhos apreendidos para a adoção de medidas judiciais.

“No caso, além da conclusão das análises relativas ao primeiro celular apreendido, ainda há oito celulares por examinar”, destacou o ministro no voto.

O relator também contestou a alegação de que o grupo de WhatsApp chamado “A Turma” seria apenas um espaço informal de conversas.

De acordo com o ministro, mensagens indicam troca de informações entre Vorcaro e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, incluindo discussões sobre a participação de um policial federal no grupo.

Para Mendonça, as evidências apontam que a organização investigada ainda representa uma ameaça, já que alguns integrantes permanecem em liberdade.

Toffoli se declarou suspeito

O ministro Dias Toffoli, que também integra a Segunda Turma do STF, se declarou suspeito para participar dos julgamentos relacionados à terceira fase da Operação Compliance Zero.

Inicialmente, ele era o relator das investigações sobre supostas fraudes bilionárias envolvendo o banco Master. No entanto, deixou a relatoria após a Polícia Federal apontar possíveis conexões entre ele e Daniel Vorcaro.

Toffoli informou ainda que é sócio de uma empresa familiar que vendeu parte de um resort no interior do Paraná a fundos ligados à empresa Reag, que possui conexões com o banqueiro investigado.

Prisão ocorreu no início de março

Daniel Vorcaro está preso preventivamente desde o dia 4 de março. Após a detenção, ele foi transferido para a Penitenciária Federal de Brasília, onde cumpre período inicial de adaptação de 20 dias.

A prisão foi autorizada depois que a Polícia Federal indicou ao STF que o empresário representava risco às investigações, além de haver indícios de que o grupo ligado a ele continuava atuando para ocultar recursos e manter articulações com agentes públicos.

Além de Vorcaro, a operação também resultou nas prisões preventivas de outras três pessoas:

  • Fabiano Zettel, cunhado do empresário e apontado como operador financeiro;
  • Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”;
  • Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado.

Investigação aponta acesso a dados sigilosos

Segundo as investigações, o grupo monitorava pessoas e buscava obter informações sigilosas em sistemas de órgãos públicos para beneficiar uma organização chamada “A Turma”.

O relator também determinou o afastamento de dois diretores do Banco Central que, de acordo com a Polícia Federal, atuavam como consultores de Vorcaro e recebiam propina.


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