STF pode derrubar lei de Santa Catarina que proíbe cotas raciais nas universidades

O julgamento ocorre no plenário virtual da Corte e deve ser concluído até a próxima sexta-feira (17)

Eduardo Fogaça

Publicado em: 10 de abril de 2026

3 min.
STF pode derrubar lei de Santa Catarina que proíbe cotas raciais nas universidades. Foto: Divulgação/STF

STF pode derrubar lei de Santa Catarina que proíbe cotas raciais nas universidades. Foto: Divulgação/STF

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta sexta-feira (10) pela inconstitucionalidade da lei de Santa Catarina que proíbe a adoção de cotas raciais em instituições de ensino superior públicas ou financiadas com recursos estaduais.

O julgamento ocorre no plenário virtual da Corte e deve ser concluído até a próxima sexta-feira (17). Caso a maioria dos ministros acompanhe o relator, a norma será invalidada.

O que diz a lei catarinense

A Lei 19.722/2026, aprovada pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), estabelece:

  • Proibição de políticas de cotas com base em critérios étnico-raciais
  • Manutenção apenas de ações afirmativas com critérios socioeconômicos
  • Reserva de vagas para pessoas com deficiência

A proposta gerou questionamentos judiciais e passou a ser analisada pelo STF após ações apresentadas por entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e partidos políticos, entre eles PT e PCdoB.

Argumentos do relator

No voto, Gilmar Mendes classificou a lei como um “retrocesso social” e apontou violação ao princípio da igualdade material previsto na Constituição Federal.

Segundo o ministro:

  • O legislador estadual não apresentou estudos técnicos que justifiquem a medida
  • A interrupção de políticas afirmativas consolidadas ocorreu sem avaliação prévia de შედეგados
  • O STF já possui entendimento firmado sobre a constitucionalidade das cotas raciais

Mendes destacou ainda que essas políticas são instrumentos relevantes no enfrentamento ao racismo estrutural e na redução de desigualdades históricas no país.

Próximos passos do julgamento

O processo segue em análise no plenário virtual, onde os ministros depositam seus votos eletronicamente. O resultado final dependerá da maioria dos votos.

Se o entendimento do relator prevalecer, a lei catarinense será considerada integralmente inconstitucional, deixando de produzir efeitos.


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