Um levantamento divulgado pela imprensa revelou que servidores públicos com os maiores supersalários do país receberam até R$ 3,1 milhões entre agosto de 2024 e julho de 2025. A média mensal desses vencimentos chegou a R$ 263 mil, valor muito acima do teto constitucional do funcionalismo, atualmente fixado em R$ 46 mil por mês — equivalente ao salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Os dados foram obtidos por meio de portais da transparência, pedidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) e informações do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), conforme publicado pela Folha de S.Paulo.
Magistratura e Ministério Público concentram maiores valores
De acordo com o levantamento, as carreiras da magistratura e do Ministério Público concentram os maiores pagamentos. Os valores incluem:
- Salários;
- Indenizações;
- Auxílios;
- Verbas retroativas.
O maior montante foi pago pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro a uma promotora, Maria de Nazaré Magalhães, que recebeu mais de R$ 3 milhões no período analisado. O valor informado é líquido e inclui também pensão pelo cônjuge, que integrava o mesmo órgão.
Santa Catarina aparece entre os maiores contracheques
Entre os dez maiores contracheques do país, oito são de magistrados aposentados do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC).
A juíza Maria da Conceição Mendes recebeu R$ 2,6 milhões entre agosto de 2024 e julho de 2025, sendo a maior parte referente a pagamentos retroativos.
Também aparecem na lista os juízes aposentados José Clésio Machado e Ademir Wolff, com valores superiores a R$ 2,5 milhões cada no período.
Teto constitucional e verbas indenizatórias
O teto constitucional do funcionalismo público corresponde ao salário dos ministros do STF, atualmente em R$ 46 mil mensais. No entanto, verbas classificadas como indenizatórias não entram no cálculo do limite, o que permite que o valor final recebido ultrapasse o teto.
Em nota, o Ministério Público do Rio de Janeiro informou que respeita o teto salarial, destacando que as verbas indenizatórias estão fora desse limite.
Já o Tribunal de Justiça de Santa Catarina afirmou que os pagamentos seguem normas do CNJ para quitação de valores pendentes, com o objetivo de evitar judicializações futuras.
Debate sobre “penduricalhos” volta à pauta
A divulgação dos números reacendeu o debate sobre os chamados “penduricalhos” no serviço público — termo utilizado para designar benefícios e adicionais que elevam os vencimentos acima do teto.
O tema ganhou novo impulso após a Câmara dos Deputados aprovar gratificações e licença compensatória para servidores do Legislativo, medidas que podem permitir remunerações acima do limite constitucional.
A discussão envolve a legalidade das verbas, a transparência dos pagamentos e o impacto nas contas públicas, além de questionamentos sobre isonomia entre os diferentes setores do funcionalismo.
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