Vaticano recusa integrar Conselho da Paz de Trump

O Conselho da Paz foi lançado oficialmente por Donald Trump em janeiro deste ano

Eduardo Fogaça

Publicado em: 18 de fevereiro de 2026

5 min.
Vaticano recusa integrar Conselho da Paz de Trump. Foto: Reprodução/Vatican News

Vaticano recusa integrar Conselho da Paz de Trump. Foto: Reprodução/Vatican News

O Vaticano anunciou, nesta terça-feira (17), que não participará do Conselho da Paz, organização criada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o objetivo de atuar na mediação de conflitos internacionais.

A decisão foi confirmada pelo secretário de Estado da Santa Sé, cardeal Pietro Parolin, após reunião com o presidente da Itália, Sergio Mattarella. Segundo ele, o Vaticano não integrará o novo órgão “devido à sua natureza particular”.

Defesa do papel da ONU

Durante a declaração à imprensa, Parolin reforçou o posicionamento da Santa Sé em favor da Organização das Nações Unidas (ONU) como principal instância para gestão de crises globais.

De acordo com o cardeal, o entendimento do Vaticano é de que cabe à ONU “gerir as situações de crise”, mantendo sua função histórica de mediação e coordenação internacional.

A posição sinaliza cautela diplomática diante da criação de uma nova estrutura paralela à organização multilateral já existente.

Convite foi analisado pelo Papa

Em janeiro, ao confirmar que o Papa Leão XIV havia recebido convite formal do governo norte-americano, Parolin afirmou que a proposta estava sendo avaliada com atenção.

Na ocasião, o secretário declarou que a decisão exigiria tempo para reflexão, considerando tanto o escopo do novo conselho quanto as implicações diplomáticas envolvidas.

Agora, a Santa Sé encerra oficialmente a possibilidade de adesão ao grupo.

O que é o Conselho da Paz

O Conselho da Paz foi lançado oficialmente por Donald Trump em janeiro deste ano. O presidente dos Estados Unidos convidou dezenas de países a integrar a organização, incluindo o Brasil.

Até o momento:

  • Ao menos 19 países assinaram a carta de criação do conselho;
  • Itália, França e Alemanha já anunciaram que não participarão;
  • O Brasil ainda não respondeu oficialmente ao convite.

A proposta prevê que os Estados Unidos assumam a presidência do órgão. Parte da comunidade internacional avalia que a iniciativa pode enfraquecer a atuação da ONU na mediação de conflitos.

Plano para a Faixa de Gaza

Entre as ações anunciadas por Trump está um plano de reconstrução e “estabilização” da Faixa de Gaza.

Em publicação nas redes sociais, o presidente norte-americano afirmou que os membros do conselho deverão investir cerca de US$ 5 bilhões nas ações previstas para a região.

A criação do novo organismo ocorre em meio a debates sobre o papel das potências internacionais na resolução de crises humanitárias e geopolíticas.

A decisão do Vaticano, ao recusar a adesão, reforça sua estratégia tradicional de atuação diplomática por meio de organismos multilaterais consolidados.


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