Secretário dos EUA é acusado de enganar Trump sobre guerra com Irã

De acordo com a apuração, os dados apresentados eram considerados “excessivamente otimistas”

Eduardo Fogaça

Publicado em: 8 de abril de 2026

5 min.
Secretário dos EUA é acusado de enganar Trump sobre guerra com Irã. Foto: Divulgação

Secretário dos EUA é acusado de enganar Trump sobre guerra com Irã. Foto: Divulgação

O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, teria fornecido informações falsas ao presidente Donald Trump sobre o andamento do conflito contra o Irã, segundo reportagem publicada nesta quarta-feira (8) pelo jornal The Washington Post. De acordo com a apuração, os dados apresentados eram considerados “excessivamente otimistas”, o que levou Trump a repetir publicamente informações enganosas, como a afirmação de que os EUA teriam controle total do espaço aéreo iraniano.

Apesar do discurso oficial de que a campanha militar seria um “sucesso absoluto”, episódios recentes colocam essa narrativa em dúvida. Na sexta-feira (3), um caça F-15E americano foi derrubado por um míssil guiado por calor disparado por forças iranianas. Dois militares ficaram isolados em território inimigo e só foram resgatados após uma operação considerada de alto risco. No mesmo dia, um avião de ataque A-10 também foi abatido, embora o piloto tenha conseguido retornar antes de se ejetar.

Durante coletiva na Casa Branca, Trump reconheceu o abate do F-15, mas minimizou o episódio ao afirmar que se tratou de um “golpe de sorte”. Ainda assim, os vazamentos contradizem declarações recorrentes de Hegseth de que o Irã não teria defesas aéreas eficazes.

Especialistas ouvidos pela reportagem reforçam que os Estados Unidos possuem superioridade aérea, mas não controle total do espaço aéreo iraniano. A analista militar Kelly Grieco, do Stimson Center, explicou que essa superioridade é limitada geograficamente e também em termos de altitude. Segundo ela, aeronaves americanas têm operado acima de 15 mil ou até 30 mil pés para evitar ameaças como foguetes portáteis.

Outro ponto contestado diz respeito à capacidade militar do Irã. Hegseth afirmou que os programas de mísseis e drones do país estariam em grande parte destruídos. No entanto, uma avaliação recente da inteligência americana indica que mais da metade dos lançadores de mísseis ainda permanece intacta, além da existência de milhares de drones de ataque no arsenal iraniano.

Ainda segundo a análise, a redução no número de lançamentos não significa enfraquecimento. O Irã teria mudado de estratégia, passando a priorizar ataques mais precisos e eficientes, o que elevou a taxa de acerto dos projéteis ao longo do conflito.

O cenário também revela perdas significativas para os Estados Unidos. Sete soldados morreram em contra-ataques iranianos, outros seis morreram em um acidente durante reabastecimento aéreo e cerca de 375 militares ficaram feridos. Paralelamente, o Irã intensificou ações indiretas na região, incluindo o lançamento de mísseis balísticos contra aliados americanos e o acionamento de grupos como o Hezbollah, no Líbano, e milícias xiitas no Iraque.

Diante das acusações, o governo americano reagiu. O porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, classificou a reportagem como “mentiras e propaganda”. Já a porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, afirmou que o presidente sempre teve uma visão completa do conflito e que não houve surpresas no andamento da guerra.


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