Campanha alerta para riscos de mergulho em águas rasas no verão

Dados da área da saúde apontam que o mergulho em águas rasas é a quarta maior causa de lesão medular no Brasil.

Eduardo Fogaça

Publicado em: 8 de janeiro de 2026

6 min.
Campanha alerta para riscos de mergulho em águas rasas no verão. Foto: Divulgação/Freepik

Campanha alerta para riscos de mergulho em águas rasas no verão. Foto: Divulgação/Freepik

Com a chegada do verão e do período de férias, cresce a procura por piscinas, rios, açudes, cachoeiras e praias em Santa Catarina e em todo o país. Diante desse cenário, uma campanha de conscientização alerta a população para os riscos do mergulho em águas rasas, prática que pode causar acidentes graves e irreversíveis.

Dados da área da saúde apontam que o mergulho em águas rasas é a quarta maior causa de lesão medular no Brasil. A maioria dos casos envolve jovens entre 10 e 30 anos, com danos concentrados principalmente na coluna cervical. Segundo o médico ortopedista Martins Back Netto, integrante do corpo clínico da Ortoimagem – Centro de Ortopedia e Diagnóstico por Imagem, em Tubarão, o perfil das vítimas é recorrente.
“O perfil dos pacientes normalmente é jovem, envolvendo até mesmo adolescentes que, em grupos, mergulham muitas vezes para se afirmar, fazer algo diferente ou demonstrar coragem”, explica.

Lesões podem mudar a vida para sempre

Os acidentes provocados pelo mergulho em locais rasos ou desconhecidos podem gerar desde traumas musculares leves até fraturas graves na coluna vertebral, muitas vezes associadas ao deslocamento das vértebras. Em situações mais severas, há comprometimento neurológico, com perda de sensibilidade e força muscular.

De acordo com o especialista, as consequências podem ser permanentes. “O risco é de um trauma que evolua para déficit neurológico, tetraplegia ou paraplegia, que é a perda total dos movimentos abaixo do pescoço, normalmente sem reversão”, alerta.

Entre as principais consequências estão:

  • Paralisia de braços e pernas;
  • Danos à coluna vertebral;
  • Fraturas e luxações;
  • Problemas neurológicos;
  • Traumatismo craniano;
  • Fraturas em mãos e pés.

Nos casos mais graves, a vítima pode ficar tetraplégica ou paraplégica, impactando drasticamente a rotina familiar e social.

Campanhas reforçam prevenção

A importância do tema mobiliza instituições como a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e a Sociedade Brasileira de Coluna (SBC), que promovem campanhas nacionais de alerta. O objetivo é conscientizar banhistas, gestores públicos e profissionais de saúde sobre atitudes simples que podem evitar acidentes.

As principais orientações incluem:

  • Verificar a profundidade da água antes de entrar;
  • Evitar saltos e mergulhos em locais desconhecidos;
  • Nunca associar bebida alcoólica a atividades aquáticas;
  • Entrar sempre na água com os pés primeiro.

“Aproveitar o verão é importante, mas sem se jogar de cabeça. Verifique a profundidade e conheça o local. Esses danos podem ser fatais ou comprometer toda uma vida com sequelas permanentes”, reforça o médico.

O que fazer em caso de acidente

Ao presenciar um acidente por mergulho, o socorro deve ser feito com extrema cautela. Movimentar a vítima de forma inadequada pode agravar ainda mais a lesão. A orientação é retirar a pessoa da água apenas para evitar afogamento e aguardar a chegada de atendimento médico especializado.

Após a avaliação hospitalar, o tratamento varia conforme a gravidade. Em casos leves, pode ser indicado o uso de colar cervical. Já em situações mais graves, a cirurgia pode ser necessária.

Fique atento às orientações

  • Não mergulhe em águas turvas ou desconhecidas;
  • Não entre na água após consumir álcool ou outras substâncias;
  • Evite brincadeiras como empurrar pessoas para dentro da água;
  • Ao ajudar uma vítima, não movimente a cabeça ou o pescoço e acione imediatamente o socorro médico.

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