Caneta emagrecedora: parar o uso acelera recuperação de peso, aponta estudo

Pesquisa com mais de 9 mil pacientes indica recuperação mensal média de 0,8 kg após o fim do uso de medicamentos à base de GLP-1.

Redação

Publicado em: 8 de janeiro de 2026

5 min.
Caneta emagrecedora: parar o uso acelera recuperação de peso, aponta estudo - Imagem: FreePik/Banco Gratuito

Caneta emagrecedora: parar o uso acelera recuperação de peso, aponta estudo - Imagem: FreePik/Banco Gratuito

Pessoas que utilizam medicamentos injetáveis para emagrecimento, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, podem recuperar o peso perdido de forma significativamente mais rápida após a interrupção do tratamento. É o que aponta um estudo publicado na revista científica British Medical Journal, baseado na análise de 37 ensaios clínicos envolvendo mais de nove mil pacientes com sobrepeso ou obesidade.

De acordo com os dados, usuários de medicamentos como Wegovy (semaglutida) e Mounjaro (tirzepatida) chegam a perder, em média, cerca de 20% do peso corporal durante o tratamento. No entanto, após a suspensão das injeções, a recuperação ocorre a um ritmo aproximado de 0,8 quilo por mês, o que pode levar o paciente a retornar ao peso inicial em cerca de um ano e meio.

Comparação com dieta e exercícios

O estudo comparou os resultados das novas terapias à base de GLP-1 com métodos tradicionais de emagrecimento, como dieta e atividade física. Embora a perda de peso seja menor entre aqueles que não utilizam medicamentos, a recuperação tende a ser mais lenta, com média de 0,1 quilo por mês após o abandono das mudanças no estilo de vida.

Segundo os pesquisadores, isso indica que o chamado “efeito rebote” pode ser até quatro vezes mais rápido entre usuários das injeções do que entre pessoas que emagrecem apenas com reeducação alimentar e exercícios físicos.

Como os medicamentos atuam no organismo

As chamadas canetas emagrecedoras imitam a ação do hormônio GLP-1, responsável por regular a fome e a saciedade. Para especialistas, o uso prolongado dessas substâncias pode reduzir a produção natural do hormônio pelo organismo e diminuir a sensibilidade do corpo aos seus efeitos.

Com isso, ao interromper o tratamento de forma abrupta, o controle do apetite tende a ser perdido rapidamente, aumentando o risco de consumo excessivo de alimentos. Relatos de pacientes descrevem a sensação como um retorno intenso da fome, logo após o fim do uso.

Tratamento contínuo e custo elevado

Especialistas em obesidade afirmam que esses medicamentos devem ser encarados como tratamento de longo prazo, já que a obesidade é uma condição crônica. No Reino Unido, o sistema público de saúde recomenda o uso apenas para pacientes com riscos associados ao excesso de peso, e não para fins estéticos.

No Brasil, Wegovy e Mounjaro são aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e podem ser prescritos por médicos, mas ainda não estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). O custo mensal do tratamento ultrapassa R$ 1,2 mil, o que dificulta a continuidade para muitos pacientes.

Importância do acompanhamento médico

Fabricantes dos medicamentos reforçam que o uso das canetas deve estar sempre associado a mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada, prática regular de exercícios e acompanhamento médico contínuo. Segundo as empresas, a recuperação de peso após a interrupção reflete a biologia da obesidade, e não falta de esforço por parte do paciente.

Pesquisadores alertam que mais estudos de longo prazo são necessários para compreender os impactos duradouros dessas terapias e definir estratégias seguras para a suspensão do tratamento.


FIQUE BEM INFORMADO:

📲 Fique por dentro do que acontece em Santa Catarina!
Entre agora no nosso canal no WhatsApp e receba as principais notícias direto no seu celular.
👉 Clique aqui e acompanhe.



× SCTODODIA Rádios