Canetas emagrecedoras derrubam preço do açúcar no Brasil

Avanço de medicamentos como Ozempic e Wegovy reduz consumo de doces no mundo e pressiona mercado da commodity

Ewertom Rodrigues

Publicado em: 12 de fevereiro de 2026

5 min.
Avanço de medicamentos como Ozempic e Wegovy reduz consumo de doces no mundo e pressiona mercado da commodity

Avanço de medicamentos como Ozempic e Wegovy reduz consumo de doces no mundo e pressiona mercado da commodity. - Foto: Divulgação

O avanço das chamadas canetas emagrecedoras está no centro de uma mudança histórica no mercado global de açúcar. A popularização de medicamentos da classe GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, reduziu o apetite e a vontade por doces, provocando uma queda expressiva na demanda e derrubando os preços da commodity aos níveis mais baixos desde outubro de 2020.

Na última quarta-feira (11), os contratos futuros do açúcar bruto negociados em Nova York recuaram para menos de 14 centavos de dólar por libra-peso — valor que representa menos da metade do registrado no fim de 2023. O movimento reflete uma nova dinâmica de consumo, impulsionada por tratamentos para perda de peso cada vez mais acessíveis.

Menos doces no prato, mais pressão no mercado

Os medicamentos à base de GLP-1 atuam diretamente na sensação de saciedade e no controle do apetite. Na prática, reduzem o consumo de alimentos ultraprocessados e guloseimas, afetando especialmente os consumidores que concentravam grande parte das compras de doces.

Analistas da corretora Marex apontam que cerca de 20% dos consumidores são responsáveis por aproximadamente 65% das vendas de guloseimas. Assim, mesmo uma adesão parcial aos tratamentos tem efeito desproporcional na demanda global por açúcar.

Nos Estados Unidos e no México, a desaceleração já levou o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a revisar para baixo suas estimativas de consumo em 23 mil toneladas para 2026.

Produção elevada amplia impacto da queda

Enquanto o consumo perde força, a produção mundial de açúcar permanece estável, estimada em cerca de 180 milhões de toneladas, com Brasil e Índia liderando a oferta. Como o ciclo da cana-de-açúcar é longo, não há ajuste imediato na produção, o que aumenta a pressão sobre os preços.

O mercado avalia o cenário como pessimista, com investidores apostando em novas quedas caso o uso das canetas emagrecedoras continue avançando, inclusive com a possível chegada de versões em comprimidos, que podem ampliar o acesso ao tratamento.

Setor de proteínas cresce na contramão

Se o açúcar enfrenta retração, o mercado de proteínas registra movimento inverso. Usuários de medicamentos para emagrecimento têm priorizado alimentos com maior densidade nutricional, principalmente para evitar perda de massa muscular.

Entre os destaques:

  • Soro de leite (whey protein) com preços em alta na Europa e nos Estados Unidos;
  • Queijo cottage com aumento de 50% nas vendas em relação ao ano anterior;
  • Indústria alimentícia reformulando portfólios para priorizar produtos ricos em proteína.

Reflexos para o Brasil

Como maior produtor e exportador mundial de açúcar, o Brasil pode sentir os efeitos principalmente nas exportações e na rentabilidade do setor sucroenergético. A intensidade do impacto interno dependerá do câmbio, do consumo doméstico e da estratégia das usinas, que também atuam na produção de etanol.

O cenário evidencia como tendências de saúde e inovação farmacêutica passaram a influenciar diretamente o mercado de commodities agrícolas, alterando padrões de consumo e pressionando cadeias produtivas tradicionais.


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