Criciúma distribui sensor de glicose gratuito a crianças

Tecnologia reduz picadas diárias, melhora controle do diabetes tipo 1 e muda rotina de 40 famílias atendidas na rede municipal

Redação

Publicado em: 12 de fevereiro de 2026

7 min.

Criciúma distribui sensor de glicose gratuito a crianças Foto: DIvulgação

Crianças com diabetes tipo 1 atendidas pela rede pública de Criciúma passaram a contar, desde agosto de 2025, com sensores de monitoramento contínuo de glicose fornecidos gratuitamente pelo município. A medida colocou a cidade como a primeira de Santa Catarina a disponibilizar a tecnologia na atenção básica.

Atualmente, 40 pacientes com idades entre dois e 14 anos utilizam o dispositivo FreeStyle Libre, que permite acompanhar, em tempo real, os níveis de açúcar no sangue sem a necessidade de múltiplas perfurações diárias nos dedos.

Tecnologia que reduz dor e aumenta segurança

O sensor é aplicado na parte posterior do braço e faz a leitura contínua da glicemia por meio de um aplicativo no celular. Pais, responsáveis e profissionais de saúde podem acompanhar os dados em tempo real, o que facilita decisões sobre alimentação, uso de insulina e prática de atividades físicas.

Antes da tecnologia, era comum que as crianças precisassem furar o dedo até sete vezes por dia para medir a glicose. Além do desconforto físico, o procedimento exigia vigilância constante, inclusive durante a madrugada.

Com o monitoramento contínuo, a necessidade das picadas diminui significativamente, o que reduz a dor, amplia a precisão no controle da doença e traz mais tranquilidade às famílias.

Da UTI a uma nova rotina

A estudante Isabele Gomes Soares, hoje com 13 anos, recebeu o diagnóstico de diabetes tipo 1 em 2017, após um quadro que evoluiu rapidamente para cetoacidose diabética. Ela ficou internada por quatro dias em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) até a confirmação da doença.

Desde então, a rotina da família passou a ser marcada por cuidados permanentes. Segundo a mãe, Daniele Lopes Gomes, as medições frequentes causavam desconforto e, muitas vezes, choro.

“As picadas incomodam e doem. Às vezes precisava furar de novo porque não dava certo. Era difícil para ela e para nós”, relata.

Com a chegada do sensor, a família passou a ter acesso a informações mais detalhadas sobre as reações do organismo a diferentes alimentos e atividades físicas. Para Daniele, a tecnologia representa também um passo importante rumo à autonomia da filha.

“Ela vai crescer, estudar, talvez morar sozinha. O sensor ajuda a preparar para essa fase, com mais segurança”, afirma.

Vigilância 24 horas por dia

A história de Elisa Ronchi Flausino, hoje com quatro anos, também revela os desafios enfrentados pelas famílias. Diagnosticada em 2022, aos dois anos, a menina apresentou sintomas como sede excessiva, perda rápida de peso e dores nas pernas.

Antes do sensor, as noites eram interrompidas por alarmes para medir a glicemia. A mãe, Daniela Flausino, conta que acordava diversas vezes para realizar o teste e, se necessário, alimentar a filha.

“Era uma vigilância constante. Muitas vezes eu acordava assustada, com medo de estar sendo negligente”, diz.

Com o monitoramento em tempo real, a rotina mudou. Passeios, brincadeiras e até momentos de lazer passaram a ser vividos com mais tranquilidade.

Ambulatório especializado acompanha pacientes

O acompanhamento das crianças beneficiadas é feito pelo Ambulatório Íris, serviço especializado da Secretaria Municipal de Saúde voltado ao atendimento de pacientes com diabetes tipo 1. O ambulatório funciona no Centro Especializado em Saúde da Mulher, Criança e Adolescente (CESMCA), no bairro Rio Maina.

A equipe é composta por enfermeira, técnico de enfermagem, endocrinologista pediátrico, nutricionista, psicóloga e assistente social. Os encontros são mensais e incluem orientação clínica e apoio às famílias.

Desde o lançamento do programa, o serviço já realizou cerca de 350 atendimentos. O encaminhamento ocorre por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBSs), após avaliação com endocrinologista pediátrico e análise dos critérios de inclusão no programa municipal.

O que muda com o sensor de glicose

Entre os principais impactos relatados pelas famílias estão:

  • Redução das picadas diárias no dedo
  • Monitoramento contínuo e mais preciso
  • Menos interrupções do sono
  • Maior segurança para atividades físicas e alimentação
  • Mais autonomia para crianças e adolescentes

Ao oferecer o sensor de forma gratuita, o município amplia o acesso à tecnologia e fortalece o cuidado na atenção básica. Para as famílias, a mudança vai além do controle clínico: representa mais qualidade de vida e menos medo no dia a dia.


FIQUE BEM INFORMADO: 📲 Fique por dentro do que acontece em Santa Catarina!
Entre agora no nosso canal no WhatsApp e receba as principais notícias direto no seu celular.
👉 Clique aqui e acompanhe:



× SCTODODIA Rádios