Diagnóstico precoce do autismo transforma vidas e amplia desenvolvimento infantil

A presidente da Associação de Pais e Amigos dos Autistas de Tubarão e Região, Manoela Pereira, destacou a importância da identificação precoce

Eduardo Fogaça

Publicado em: 7 de abril de 2026

5 min.
Diagnóstico precoce do autismo transforma vidas e amplia desenvolvimento infantil. Foto: Divulgação

Diagnóstico precoce do autismo transforma vidas e amplia desenvolvimento infantil. Foto: Divulgação

O diagnóstico precoce do transtorno do espectro autista (TEA) é considerado um dos principais fatores para garantir melhor qualidade de vida e desenvolvimento das crianças. Identificar os sinais ainda na infância permite intervenções mais eficazes, além de orientar famílias desde os primeiros passos após a suspeita.

Na região sul de Santa Catarina, o acesso à informação e ao suporte especializado tem avançado, mas ainda enfrenta desafios, principalmente no acolhimento das famílias no momento do diagnóstico — fase marcada por dúvidas e inseguranças.

Em entrevista à Rádio Cidade, a psicóloga, mãe atípica e presidente da Associação de Pais e Amigos dos Autistas de Tubarão e Região (AMA-Sul), Manoela Pereira, destacou como a identificação precoce pode mudar a trajetória de pessoas com TEA.

Segundo ela, o diagnóstico antecipado é essencial para um bom prognóstico. “O diagnóstico precoce é algo fundamental para uma boa expectativa de evolução e desenvolvimento da criança”, afirmou.

Acesso ao diagnóstico ainda é um desafio

Apesar da importância, o acesso ao diagnóstico ainda enfrenta limitações. De acordo com Manoela, a AMA-Sul não conta com médicos na equipe, o que dificulta o processo inicial para algumas famílias.

Atualmente, para ter acesso às intervenções vinculadas à Fundação Catarinense de Educação Especial, é necessário apresentar um laudo médico — seja de suspeita ou confirmação do autismo.

Mesmo assim, há alternativas. “Até um clínico geral ou pediatra pode emitir um laudo de suspeita, permitindo que a criança inicie as intervenções sem precisar do diagnóstico fechado”, explicou.

A associação também atua encaminhando famílias para voluntários e oferecendo orientação durante esse processo inicial.

Intervenção precoce é decisiva

O principal foco da AMA-Sul está na intervenção precoce, especialmente com crianças de até seis anos. O atendimento inclui terapias baseadas na Análise do Comportamento Aplicada (ABA), considerada uma das abordagens mais eficazes para o desenvolvimento de pessoas com TEA.

Além das sessões semanais, o trabalho envolve:

  • Relatórios detalhados sobre a evolução da criança
  • Orientação contínua para os pais
  • Treinamento para profissionais de apoio
  • Acompanhamento das práticas em casa e na escola

“Não basta a intervenção clínica. Ela precisa continuar no ambiente familiar e escolar para ser efetiva”, ressaltou Manoela.

Apoio às famílias é fundamental

Outro ponto destacado é o acolhimento às famílias, que muitas vezes se sentem perdidas diante do diagnóstico. A associação busca oferecer suporte emocional e orientação prática, contribuindo para uma adaptação mais segura e consciente.

A atuação da AMA-Sul reforça a importância de olhar para o autismo de forma contínua, com acompanhamento, informação e inclusão em todas as fases da vida.

O avanço no acesso a serviços especializados é um passo importante, mas ainda há necessidade de ampliar a estrutura e o suporte, garantindo que mais famílias tenham acesso ao diagnóstico precoce e às intervenções adequadas.


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