O diagnóstico precoce do transtorno do espectro autista (TEA) é considerado um dos principais fatores para garantir melhor qualidade de vida e desenvolvimento das crianças. Identificar os sinais ainda na infância permite intervenções mais eficazes, além de orientar famílias desde os primeiros passos após a suspeita.
Na região sul de Santa Catarina, o acesso à informação e ao suporte especializado tem avançado, mas ainda enfrenta desafios, principalmente no acolhimento das famílias no momento do diagnóstico — fase marcada por dúvidas e inseguranças.
Em entrevista à Rádio Cidade, a psicóloga, mãe atípica e presidente da Associação de Pais e Amigos dos Autistas de Tubarão e Região (AMA-Sul), Manoela Pereira, destacou como a identificação precoce pode mudar a trajetória de pessoas com TEA.
Segundo ela, o diagnóstico antecipado é essencial para um bom prognóstico. “O diagnóstico precoce é algo fundamental para uma boa expectativa de evolução e desenvolvimento da criança”, afirmou.
Acesso ao diagnóstico ainda é um desafio
Apesar da importância, o acesso ao diagnóstico ainda enfrenta limitações. De acordo com Manoela, a AMA-Sul não conta com médicos na equipe, o que dificulta o processo inicial para algumas famílias.
Atualmente, para ter acesso às intervenções vinculadas à Fundação Catarinense de Educação Especial, é necessário apresentar um laudo médico — seja de suspeita ou confirmação do autismo.
Mesmo assim, há alternativas. “Até um clínico geral ou pediatra pode emitir um laudo de suspeita, permitindo que a criança inicie as intervenções sem precisar do diagnóstico fechado”, explicou.
A associação também atua encaminhando famílias para voluntários e oferecendo orientação durante esse processo inicial.
Intervenção precoce é decisiva
O principal foco da AMA-Sul está na intervenção precoce, especialmente com crianças de até seis anos. O atendimento inclui terapias baseadas na Análise do Comportamento Aplicada (ABA), considerada uma das abordagens mais eficazes para o desenvolvimento de pessoas com TEA.
Além das sessões semanais, o trabalho envolve:
- Relatórios detalhados sobre a evolução da criança
- Orientação contínua para os pais
- Treinamento para profissionais de apoio
- Acompanhamento das práticas em casa e na escola
“Não basta a intervenção clínica. Ela precisa continuar no ambiente familiar e escolar para ser efetiva”, ressaltou Manoela.
Apoio às famílias é fundamental
Outro ponto destacado é o acolhimento às famílias, que muitas vezes se sentem perdidas diante do diagnóstico. A associação busca oferecer suporte emocional e orientação prática, contribuindo para uma adaptação mais segura e consciente.
A atuação da AMA-Sul reforça a importância de olhar para o autismo de forma contínua, com acompanhamento, informação e inclusão em todas as fases da vida.
O avanço no acesso a serviços especializados é um passo importante, mas ainda há necessidade de ampliar a estrutura e o suporte, garantindo que mais famílias tenham acesso ao diagnóstico precoce e às intervenções adequadas.
FIQUE BEM INFORMADO:
Fique por dentro do que acontece em Santa Catarina!
Entre agora no nosso canal no WhatsApp e receba as principais notícias direto no seu celular.
Clique aqui e acompanhe.