Enxaqueca e alimentação: por que a melancia pode ser um gatilho

Estudos científicos apontam que compostos da fruta podem desencadear crises intensas em pessoas com predisposição neurológica

Redação

Publicado em: 10 de fevereiro de 2026

5 min.
Enxaqueca e alimentação por que a melancia pode ser um gatilho. - Foto: Canva

Enxaqueca e alimentação por que a melancia pode ser um gatilho. - Foto: Canva

Apesar de ser uma das frutas mais consumidas no Brasil, especialmente nos dias quentes, a melancia pode representar um problema para um grupo específico de pessoas: aquelas que sofrem de enxaqueca. Pesquisas indicam que o consumo da fruta está associado ao desencadeamento de crises intensas de dor de cabeça em indivíduos com predisposição ao distúrbio neurológico.

Estudos científicos apontam que certos compostos presentes na melancia podem atuar como gatilhos para a enxaqueca. O alerta não significa que a fruta seja prejudicial à população em geral, mas reforça a necessidade de atenção individualizada à alimentação de quem convive com o problema.

O que dizem as pesquisas

Um estudo publicado em 2021 analisou os hábitos alimentares de quase quatro mil pessoas diagnosticadas com enxaqueca e mais de mil com cefaleia tensional. Os resultados mostraram que aproximadamente 40% dos pacientes com enxaqueca relataram crises após o consumo de determinados alimentos de origem vegetal.

A melancia se destacou entre os principais gatilhos: quase 30% dos participantes associaram o consumo da fruta ao surgimento de dores de cabeça. O índice foi significativamente superior ao registrado para outras frutas, como maracujá, laranja e abacaxi.

Outro levantamento, divulgado em 2023 e citado pela revista Psychology Today, reforçou essa relação. Em um estudo comparativo, cerca de um quarto dos voluntários com histórico de enxaqueca apresentou dor de cabeça cerca de duas horas após ingerir melancia.

Por que a melancia pode causar enxaqueca

Especialistas explicam que alimentos capazes de desencadear enxaqueca costumam atuar em mecanismos como inflamação, alterações no metabolismo da glicose e dilatação dos vasos sanguíneos no cérebro.

No caso da melancia, o destaque vai para a citrulina, um aminoácido que o organismo converte em arginina, utilizada na produção de óxido nítrico. Essa substância promove a vasodilatação, processo diretamente associado ao início das crises de enxaqueca em pessoas suscetíveis.

Além da citrulina, a fruta contém outros compostos bioativos, como carotenoides e polifenóis, que podem influenciar respostas inflamatórias no organismo.

Nem todos precisam evitar a fruta

Para quem não sofre de enxaqueca, a melancia é uma opção saudável. Com alto teor de água, a fruta contribui para a hidratação e pode até ajudar a prevenir dores de cabeça relacionadas à desidratação.

Ela também fornece vitaminas, minerais e antioxidantes importantes para o funcionamento do organismo, além de ser versátil no consumo, seja in natura, em saladas, sucos ou preparações culinárias.

Atenção aos sinais do corpo

Como os gatilhos da enxaqueca variam de pessoa para pessoa, especialistas recomendam que pacientes mantenham um diário alimentar. Registrar o que foi consumido e quando surgem as crises ajuda a identificar padrões e alimentos que devem ser evitados.

A orientação é que qualquer mudança na dieta seja discutida com um profissional de saúde, garantindo equilíbrio nutricional sem comprometer o controle da enxaqueca.


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