Um alimento comum nas cozinhas brasileiras pode atravessar décadas — e até séculos — sem estragar. Trata-se do mel, um produto natural que desafia a lógica dos prazos de validade e chama a atenção de pesquisadores pela sua impressionante capacidade de conservação ao longo do tempo.
Diferentemente da maioria dos alimentos, o mel não apodrece, não desenvolve bactérias perigosas e não perde suas características básicas quando armazenado corretamente. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), essa durabilidade está diretamente ligada à composição química do produto e ao processo natural realizado pelas abelhas desde a coleta do néctar.
Como o mel se torna um alimento “eterno”
O néctar retirado das flores pode conter até 70% de água. Antes de se transformar em mel, porém, ele passa por um processo intenso de desidratação dentro da colmeia. As abelhas abanam o néctar com as asas até reduzir o teor de água para cerca de 17%.
Essa redução é decisiva para a conservação. Microrganismos como fungos e bactérias dependem de água para sobreviver e se multiplicar. Com baixa umidade, o mel se transforma em um ambiente hostil para esses organismos, impedindo a deterioração do alimento.
A acidez como barreira natural contra bactérias
Além da pouca água, o mel também apresenta alta acidez. Durante o processamento do néctar, uma enzima presente no estômago das abelhas transforma parte da glicose em ácido glucônico. Esse processo reduz o pH do produto, criando mais uma barreira natural contra microrganismos.
De acordo com a revista Science Focus, a combinação entre baixa atividade de água e acidez elevada explica o efeito antimicrobiano do mel e sua capacidade de permanecer seguro para consumo por períodos extremamente longos.
Mudanças visuais não indicam que o mel estragou
Especialistas alertam que o mel pode sofrer alterações ao longo do tempo, como escurecimento ou cristalização. Essas mudanças são naturais e não significam que o produto perdeu qualidade ou se tornou impróprio para consumo.
A cristalização, por exemplo, ocorre devido à presença de açúcares naturais e varia conforme a origem floral do mel. Em geral, o sabor e o aroma permanecem preservados.
Qual mel dura mais tempo
Para aproveitar ao máximo as propriedades do alimento, a recomendação é optar pelo mel natural, cru e não filtrado. Segundo a revista Nature Nat’s, esse tipo de mel não passa por aquecimento intenso, o que ajuda a manter suas características originais, incluindo compostos naturais e traços de pólen.
Mesmo sem prazo de validade formal, a orientação é armazenar o mel em recipientes bem fechados, longe da umidade e do calor excessivo, garantindo sua conservação por tempo indeterminado.
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