Uma campanha da Secretaria Municipal de Saúde de Cocal do Sul chamou a atenção da população e gerou forte repercussão nas redes sociais ao simular um pedido de perdão feito por um agressor. A ação foi detalhada pela secretária de Saúde, Giovana Galato, durante entrevista concedida nesta quarta-feira 14, à Rádio Cidade em Dia 89.9 FM, do Grupo SCTODODIA de Comunicação, em conversa com a jornalista Manuela Oliveira.
A iniciativa utilizou faixas instaladas no trevo de entrada do município, local de grande circulação, com a frase: “Maria, eu te amo, aquele dia eu estava nervoso, volta para mim”. A mensagem, em um primeiro momento, foi interpretada por muitos moradores como um pedido real de reconciliação. A reação popular, no entanto, foi imediata e crítica, com comentários alertando para o risco de retorno a uma relação violenta.
Estratégia para chamar atenção ao problema
Segundo Giovana Galato, a interpretação inicial fazia parte da estratégia da campanha. A proposta era justamente provocar reflexão e expor, de forma direta, o chamado ciclo da violência doméstica — caracterizado por agressões seguidas de pedidos de desculpa e promessas de mudança.
Dias depois, uma segunda faixa foi instalada no mesmo local, desta vez explicando o ciclo da violência e informando que as mulheres não estão sozinhas, pois contam com uma rede de proteção formada pela saúde, assistência social, forças de segurança e órgãos de defesa.
Rede de apoio e canais de denúncia
Durante a entrevista, a secretária reforçou a importância de romper o silêncio e buscar ajuda antes que situações mais graves aconteçam. Entre os principais canais divulgados está o Disque 180, serviço nacional de atendimento gratuito às mulheres, que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, oferecendo orientação, registro de denúncias e informações sobre direitos.
Em nível municipal, o acolhimento envolve unidades de saúde, o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), a Polícia Militar, a Polícia Civil e, quando necessário, o Conselho Tutelar, especialmente em casos que envolvem crianças e adolescentes.
Números que reforçam a urgência
De acordo com dados apresentados por Giovana Galato, entre janeiro e novembro de 2025 foram registrados 107 casos de violência contra a mulher em Cocal do Sul, envolvendo agressões físicas, ameaças, violência moral e um caso de estupro. Os números, segundo a secretária, motivaram o fortalecimento de ações preventivas e educativas no município.
“A violência adoece a mulher, a família e todo o ambiente doméstico. Campanhas como essa são necessárias para conscientizar, prevenir novos casos e mostrar que qualquer tipo de agressão é crime”, destacou.
Apoio da comunidade e conscientização
Um dos pontos positivos ressaltados foi o engajamento espontâneo da população, especialmente de outras mulheres, que passaram a se manifestar publicamente em defesa da personagem simbólica “Maria”. Para a Secretaria de Saúde, esse apoio coletivo ajuda a fortalecer vítimas e a desencorajar agressores.
A campanha também buscou reforçar que denunciar não significa se expor, já que as denúncias podem ser feitas de forma anônima. Além disso, a secretária destacou que ações preventivas ajudam a informar mulheres sobre direitos que muitas vezes são desconhecidos.
Mensagem final
A entrevista foi encerrada com um apelo direto às mulheres que vivem em situação de violência e às pessoas que convivem com possíveis vítimas. A orientação é clara: ao perceber sinais de agressão, busque ajuda e denuncie. “O amor não machuca”, reforçou a secretária.
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