Fevereiro Roxo alerta para Alzheimer e importância do diagnóstico precoce

Neurologista explica sintomas iniciais, fatores de risco e avanços no tratamento da doença

José Demathé

Publicado em: 6 de fevereiro de 2026

7 min.

Fevereiro Roxo alerta para Alzheimer e importância do diagnóstico precoce Foto: Imagem ilustrativa

Em pleno Fevereiro Roxo, campanha dedicada à conscientização sobre doenças neurológicas, a doença de Alzheimer ganha destaque como um dos principais desafios de saúde pública da atualidade. O tema foi abordado em entrevista concedida pela neurologista Gisele Borges Medeiros à Rádio Cidade em Dia 89.1 FM, do Grupo SCTODODIA de Comunicação, na sexta-feira (06), em conversa com o jornalista Marcus Matildes.

No bate-papo, a médica explicou o que é o Alzheimer, quais são os principais sintomas, como funciona o diagnóstico e quais os avanços recentes no tratamento da doença, que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e impacta diretamente a rotina das famílias.

O que é a doença de Alzheimer

Segundo a neurologista, o Alzheimer é o tipo mais comum de demência. Trata-se de uma doença neurodegenerativa e progressiva, caracterizada pelo depósito de placas amiloides no cérebro, que levam à destruição gradual dos neurônios.

“O sintoma mais conhecido é a perda de memória, mas a doença pode começar com mudanças de comportamento, dificuldade para realizar tarefas simples ou para nomear objetos”, explicou a especialista durante a entrevista.

Sintomas iniciais exigem atenção

Embora a perda de memória recente seja o sinal mais lembrado, a médica alerta que outros sintomas costumam surgir antes e muitas vezes são confundidos com “coisas da idade”. Entre eles estão:

  • Mudanças de comportamento e humor;
  • Dificuldade para executar tarefas rotineiras, como cozinhar ou se vestir;
  • Problemas para encontrar palavras ou reconhecer objetos;
  • Desorientação em situações comuns do dia a dia.

De acordo com a neurologista, a maioria dos casos surge após os 65 anos, mas cerca de 5% podem ocorrer de forma precoce, antes dessa idade.

Mais casos ou mais diagnóstico?

A entrevista também abordou o aumento no número de diagnósticos. Para a especialista, há, sim, maior prevalência da doença, mas também mais informação e menos tabu em relação ao tema.

“Hoje se estima que existam cerca de 24 milhões de pessoas com demência no mundo, e esse número tende a crescer com o aumento da expectativa de vida”, destacou. O impacto econômico e social também é elevado, especialmente para as famílias e cuidadores.

Estilo de vida influencia o risco

Um dos pontos centrais da conversa foi a relação entre estilo de vida e saúde cerebral. A médica explicou que doenças como hipertensão, diabetes, colesterol alto e hábitos como sedentarismo e tabagismo aumentam o risco de AVC, que por sua vez facilita o desenvolvimento de demências, incluindo o Alzheimer.

Além disso, manter o cérebro ativo ao longo da vida ajuda a criar a chamada reserva cognitiva, que pode retardar o aparecimento dos sintomas.

Entre as atividades recomendadas estão:

  • Leitura e estudos contínuos;
  • Aprender novas línguas ou tocar instrumentos musicais;
  • Prática regular de atividade física;
  • Jogos, palavras cruzadas e estímulos cognitivos variados;
  • Convívio social e interação com outras pessoas.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico nem sempre acontece na primeira consulta, já que muitas vezes quem percebe os sintomas iniciais são os familiares. A avaliação envolve consultas médicas e testes neuropsicológicos, realizados ao longo de algumas sessões.

A neurologista destacou ainda um avanço importante: novos medicamentos aprovados no Brasil, capazes de retardar a progressão da doença em fases iniciais. Esses tratamentos atuam na redução das placas amiloides no cérebro, algo que não era possível até poucos anos atrás.

“No entanto, essas medicações só têm efeito nas fases iniciais da doença, o que reforça a importância do diagnóstico precoce”, ressaltou.

Impacto na família e nos cuidadores

A entrevista também chamou atenção para o impacto emocional e estrutural do Alzheimer sobre a família. Com o avanço da doença, o paciente perde a percepção do próprio quadro, enquanto cuidadores e familiares enfrentam mudanças profundas na rotina.

A orientação da especialista é evitar confrontos diretos com o paciente e buscar estratégias que transmitam segurança, tranquilidade e acolhimento, preservando ao máximo a qualidade de vida.

Prevenção começa antes da velhice

Por fim, a médica reforçou que a prevenção deve começar ainda na meia-idade, especialmente entre os 40 e 60 anos, com controle rigoroso de doenças crônicas, alimentação equilibrada, prática de exercícios físicos e acompanhamento médico regular.

“O Alzheimer não tem uma única causa, mas o cuidado com a saúde ao longo da vida faz diferença lá na frente”, concluiu.


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