O registro de um gambá circulando entre lixeiras e resíduos acumulados em Tubarão, no Sul de Santa Catarina, chamou a atenção de moradores e reacendeu o debate sobre os impactos do descarte irregular de lixo na convivência entre pessoas e animais silvestres. A cena, cada vez mais comum em áreas urbanas, expõe um problema ambiental diretamente relacionado à ação humana.
De acordo com o biólogo Joares May, a presença do animal nesses locais está diretamente ligada à oferta de alimento provocada pelo acúmulo de lixo. O gambá possui hábitos oportunistas e é atraído não apenas por restos de comida, mas também por insetos e pequenos roedores que se proliferam em ambientes com resíduos orgânicos.
Segundo o especialista, o comportamento do animal não é aleatório. “O gambá é um caçador. Ele vai até o lixo em busca de alimento, como pequenos roedores e insetos, que se concentram nesses locais por causa do acúmulo de resíduos. Com grande oferta, ele acaba permanecendo nessas áreas”, explicou.
Há risco para a população?
O biólogo destaca que o gambá não é agressivo, mas pode morder caso se sinta ameaçado. Como possui dentes afiados, o contato direto deve ser evitado. Em relação a doenças, o risco para humanos é considerado baixo, já que o animal apresenta alta resistência a diversas enfermidades devido ao seu metabolismo e temperatura corporal.
Ainda assim, Joares May alerta que o risco nunca é inexistente, principalmente quando há contato direto, manipulação do animal ou aproximação de cães e gatos.
“O gambá pode machucar um animal doméstico em uma briga. Além disso, quando vive próximo a lixo em grande volume, inclusive com dejetos humanos, ele pode se contaminar e transmitir doenças aos animais domésticos, criando um ciclo de risco”, afirmou.
Impactos do lixo no ecossistema
Apesar dos alertas, o especialista reforça que o gambá é uma espécie comum na região e faz parte do ecossistema local. O problema, segundo ele, não está no animal, mas na alteração do ambiente causada pelo descarte inadequado de resíduos.
“O acúmulo de restos de comida acaba funcionando como um verdadeiro banquete. Isso tira o gambá do seu ambiente natural e o faz consumir alimentos que não fazem parte da dieta dele, como arroz, feijão e macarrão”, explicou.
Essa mudança alimentar pode provocar problemas de saúde no animal, como distúrbios hepáticos e renais, além de favorecer o surgimento de parasitos que antes estavam inativos e que podem se transformar em doenças com potencial de transmissão.
Orientações à população
A principal recomendação é evitar o acúmulo de lixo, especialmente restos de alimentos, e descartar corretamente os resíduos. O biólogo também orienta que cães e gatos sejam mantidos dentro dos quintais para evitar confrontos com animais silvestres.
Em casos de aparecimento frequente de gambás ou outros animais em áreas urbanas, a orientação é acionar os órgãos competentes para avaliação e manejo adequado da situação.
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