O lipedema é uma condição crônica, inflamatória e progressiva que atinge principalmente mulheres e impacta diretamente a qualidade de vida. O tema foi abordado pela médica Brenda Mendonça durante entrevista concedida nesta quinta-feira (29), à Rádio Cidade em Dia 89.1 FM, do Grupo SCTODODIA de Comunicação, em conversa com a jornalista Manuela Oliveira.
Durante a entrevista, a especialista explicou que o lipedema não tem cura, mas possui tratamento, e que o controle adequado dos sintomas pode devolver bem-estar, autoestima e funcionalidade às pacientes.
Onde o lipedema se manifesta
De acordo com a médica, o lipedema se caracteriza por uma distribuição desproporcional da gordura corporal, geralmente com acúmulo simétrico nos membros inferiores. As pernas são as regiões mais afetadas, mas a doença também pode atingir braços e quadris, dependendo do tipo e da classificação.
Entre as características mais comuns estão:
- Aumento de volume nas pernas de forma simétrica
- Acúmulo de gordura ao redor dos joelhos
- Sensação de peso, inchaço e dor
- Pele com aspecto semelhante à “casca de laranja”
Esses sinais fazem com que o lipedema seja frequentemente confundido com celulite ou obesidade, o que atrasa o diagnóstico correto.
Diferença entre lipedema, obesidade, celulite e linfedema
Segundo a especialista, um dos principais diferenciais do lipedema é a resistência ao emagrecimento. Mesmo com dieta e exercícios físicos, a gordura característica da doença não responde aos métodos tradicionais.
Na obesidade, o ganho de peso ocorre de forma mais proporcional pelo corpo. Já a celulite tende a melhorar com a redução do percentual de gordura e não causa dor. O linfedema, por sua vez, é uma doença vascular e geralmente afeta apenas um membro, causando assimetria — o que não ocorre no lipedema.
Calor agrava os sintomas
Durante o verão, muitas mulheres relatam piora dos sintomas. A médica explicou que o aumento da temperatura provoca vasodilatação, favorecendo a retenção de líquidos. Como o lipedema já causa inchaço, o calor pode intensificar dores e desconfortos.
Apesar disso, ela reforçou que mulheres em acompanhamento adequado conseguem minimizar esses efeitos, mantendo qualidade de vida mesmo nos períodos mais quentes do ano.
Origem genética e influência hormonal
O lipedema tem forte relação genética e hormonal. Muitas pacientes têm histórico familiar da doença, mas os sintomas costumam surgir em momentos específicos da vida, como:
- Primeira menstruação
- Gestação
- Transição para a menopausa
Essas fases estão associadas a alterações hormonais, especialmente ao aumento do estrogênio, fator diretamente ligado ao desenvolvimento do lipedema.
Impactos emocionais e autoestima
Além das limitações físicas, o lipedema também afeta o emocional. Mulheres relatam frustração por não obterem resultados estéticos, mesmo com rotina disciplinada de exercícios e alimentação equilibrada. Isso pode levar à queda da autoestima, retração social e impactos na vida pessoal e profissional.
A médica destacou a importância de olhar para a paciente de forma integral, considerando não apenas o corpo, mas também o aspecto psicológico e emocional.
Tratamento correto evita erros comuns
Um dos erros mais frequentes, segundo a especialista, é buscar apenas tratamentos estéticos sem acompanhamento clínico. O tratamento ideal deve ser multidisciplinar, envolvendo:
- Avaliação médica
- Acompanhamento nutricional
- Exercícios físicos direcionados
- Tratamentos estéticos adequados
Meias de compressão e drenagem linfática auxiliam no controle dos sintomas, mas não são suficientes de forma isolada.
Cirurgia é opção, mas não é definitiva
Existe a possibilidade de cirurgia para retirada do tecido gorduroso doente, mas ela não representa cura. O procedimento só é indicado após o controle da inflamação e deve ser acompanhado da manutenção de hábitos saudáveis. Caso contrário, os sintomas podem retornar.
Orientação às mulheres
A principal mensagem deixada pela médica é de conscientização. Identificar os sintomas, buscar profissionais qualificados e iniciar o tratamento correto pode transformar a rotina das pacientes.
“É possível ter lipedema e viver bem”, reforçou a especialista, destacando que informação e acompanhamento são fundamentais para o controle da doença.
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