Cientistas da Universidade de Exeter, no Reino Unido, desenvolveram as primeiras traças-da-cera geneticamente modificadas do mundo, abrindo caminho para a substituição parcial de ratos e camundongos em pesquisas científicas sobre infecções. A descoberta foi publicada nesta semana na revista científica Nature Lab Animal e pode acelerar estudos sobre resistência antimicrobiana, um dos maiores desafios da saúde global.
Conhecidas como “mariposas sensoriais”, as larvas da espécie Galleria mellonella passam a contar com ferramentas genéticas inéditas que permitem observar, em tempo real, como o organismo reage a diferentes patógenos. Com isso, pesquisadores conseguem realizar testes iniciais de infecção e triagens de antimicrobianos de forma mais rápida, econômica e ética.
Alternativa aos roedores em laboratório
Tradicionalmente, estudos de infecção utilizam roedores como modelo experimental. No entanto, o uso da traça-da-cera vem ganhando destaque por apresentar características semelhantes às dos mamíferos quando exposta a bactérias e fungos. Além disso, o inseto pode ser mantido a 37 °C, temperatura equivalente à do corpo humano, o que favorece resultados mais próximos da realidade clínica.
Até agora, a limitação estava na ausência de ferramentas genéticas que permitissem análises mais profundas. Segundo o professor James Wakefield, da Universidade de Exeter, a modificação genética das larvas representa um avanço decisivo. “Essa inovação nos permite acompanhar infecções em tempo real, algo que antes não era possível com esse modelo”, explicou.
Impacto direto na resistência antimicrobiana
A resistência antimicrobiana (RAM) é apontada por especialistas como uma ameaça crescente à saúde pública mundial. O pesquisador James Pearce, também da Universidade de Exeter, destaca que a nova abordagem pode acelerar a busca por tratamentos eficazes. “Precisamos urgentemente de métodos mais rápidos, éticos e escaláveis para testar novas pesquisas”, afirmou.
As larvas modificadas respondem a patógenos humanos relevantes, como a bactéria Staphylococcus aureus, associada a infecções hospitalares, e o fungo Candida albicans, responsável por infecções oportunistas.
Redução significativa no uso de animais
O impacto da descoberta pode ser expressivo. Apenas no Reino Unido, cerca de 100 mil camundongos são utilizados anualmente em pesquisas relacionadas à biologia de infecções. De acordo com os pesquisadores, se apenas 10% desses estudos fossem substituídos pelo uso das traças-da-cera, mais de 10 mil animais deixariam de ser utilizados todos os anos.
A expectativa é que o modelo com mariposas seja adotado principalmente nas fases iniciais das pesquisas, reduzindo a necessidade de testes em roedores e tornando os estudos mais sustentáveis do ponto de vista ético e científico.
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