Uma atualização nas diretrizes da American Heart Association (AHA), pode alterar significativamente o tratamento da pressão arterial em pessoas com mais de 65 anos. A principal mudança é o abandono da recomendação generalizada de uso de medicamentos para quem apresenta pressão acima de 130 mmHg, substituindo-a por uma avaliação individual do risco cardiovascular.
A revisão indica que cerca de 10% dos idosos que antes recebiam indicação automática para tratamento medicamentoso podem não precisar mais do uso imediato de remédios.
O que muda na prática
A nova abordagem considera o risco de desenvolver doenças cardiovasculares em um período de 10 anos, em vez de avaliar apenas idade e níveis de pressão arterial.
Na prática, isso significa:
- A medicação não será mais indicada automaticamente
- O histórico de saúde do paciente passa a ser determinante
- Doenças como diabetes e problemas renais ganham peso na decisão
- O tratamento se torna mais personalizado
Segundo especialistas, a mudança busca equilibrar benefícios e riscos, evitando o uso desnecessário de medicamentos.
Menos remédios, menos efeitos colaterais
A revisão é considerada positiva por parte da comunidade médica, principalmente por reduzir a exposição de idosos a efeitos colaterais.
Entre os principais riscos do uso excessivo de medicamentos estão:
- Tontura
- Fadiga
- Problemas renais
- Quedas e fraturas
A redução excessiva da pressão pode ser perigosa em pacientes mais frágeis, especialmente aqueles com doença renal crônica.
Foco em quem realmente precisa
A nova estratégia concentra o tratamento intensivo em pacientes com maior risco cardiovascular, como:
- Pessoas com diabetes
- Pacientes com doença renal
- Indivíduos com múltiplos fatores de risco
A ideia é evitar a chamada polifarmácia — o uso excessivo de medicamentos — em pacientes com menor risco.
Especialistas alertam para desafios
Apesar dos avanços, a mudança também levanta preocupações. O professor Peter Kowey, da Universidade Thomas Jefferson, alerta que a nova diretriz pode levar à redução do tratamento em pessoas que realmente precisam.
Ele destaca que o modelo exige mais tempo e experiência dos médicos para avaliar corretamente cada caso. Em consultas rápidas, há risco de decisões inadequadas.
“O desafio não é tirar remédios, mas identificar quem precisa deles e garantir um tratamento eficaz”, afirma.
O que o paciente deve fazer
Diante das novas diretrizes, especialistas recomendam:
- Não interromper medicamentos por conta própria
- Consultar um médico para avaliação individual
- Manter acompanhamento regular da pressão
- Adotar hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada e atividade física
A mudança reforça uma tendência crescente na medicina: tratamentos cada vez mais personalizados, baseados no perfil de cada paciente.
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