A influenciadora digital Isabel Veloso morreu aos 19 anos em decorrência de um linfoma de Hodgkin, tipo de câncer que se desenvolve no sistema linfático, responsável pela defesa do organismo. A morte foi confirmada neste sábado (10) pelo marido, Lucas Borbas, por meio de uma publicação nas redes sociais.
Isabel enfrentava a doença desde que identificou nódulos no pescoço e no tórax, sinais iniciais do câncer. O linfoma de Hodgkin pode evoluir de forma silenciosa, especialmente nas fases iniciais, o que dificulta o diagnóstico precoce em muitos pacientes.
O que é o linfoma de Hodgkin
O linfoma de Hodgkin é um câncer que se origina no sistema linfático, uma rede formada por vasos, linfonodos (gânglios) e órgãos como o baço e o timo. Esse sistema atua diretamente na produção e circulação das células de defesa do corpo.
Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), a doença surge quando células do sistema imunológico sofrem alterações genéticas e passam a se multiplicar de forma desordenada, formando tumores, principalmente nos linfonodos.
Uma característica marcante do linfoma de Hodgkin é a presença das células de Reed-Sternberg, identificadas em exames microscópicos. Elas funcionam como uma assinatura da doença e são fundamentais para confirmar o diagnóstico por meio de biópsia.
Quem pode ser afetado
O linfoma de Hodgkin pode atingir pessoas de qualquer idade, mas apresenta maior incidência em dois grupos específicos:
- adultos jovens, entre 20 e 35 anos;
- pessoas acima dos 60 anos.
Não existe um único fator de risco definido. Em alguns casos, a doença está associada a alterações do sistema imunológico, histórico familiar ou infecções virais, como o vírus Epstein-Barr.
Principais sintomas
O sinal mais comum é o surgimento de ínguas indolores, especialmente no pescoço, axilas ou virilha. Outros sintomas podem surgir com a progressão da doença, como:
- febre persistente;
- perda de peso sem causa aparente;
- cansaço intenso;
- suor noturno;
- aumento do volume abdominal;
- coceira persistente na pele, sem lesões aparentes.
A persistência desses sinais por semanas deve levar à investigação médica.
Diagnóstico e tipos da doença
O diagnóstico é confirmado por biópsia do linfonodo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o linfoma de Hodgkin é dividido em dois grupos principais:
- Linfoma de Hodgkin clássico, mais comum e geralmente tratado com quimioterapia, associada ou não à radioterapia;
- Linfoma de Hodgkin de predomínio linfocitário nodular, mais raro e de evolução mais lenta, podendo exigir abordagens terapêuticas menos intensivas.
Após a confirmação, exames de imagem são realizados para determinar a extensão da doença, processo conhecido como estadiamento.
Tratamento e chances de cura
O linfoma de Hodgkin é considerado um dos cânceres com maiores taxas de cura, especialmente quando diagnosticado precocemente. O tratamento evoluiu significativamente desde as décadas de 1960 e 1970, com a introdução da poliquimioterapia.
Atualmente, a quimioterapia continua sendo a base do tratamento. Em casos mais complexos ou de recidiva, podem ser indicadas terapias como anticorpos monoclonais, transplante de medula óssea e, em situações específicas, a terapia celular CAR-T cell.
Apesar dos avanços, o tratamento pode causar efeitos colaterais, como queda de cabelo, náuseas, fadiga e maior risco de infecções, geralmente temporários e acompanhados de perto pela equipe médica.
Diferença entre Hodgkin e não-Hodgkin
Embora apresentem sintomas semelhantes, os linfomas de Hodgkin e não-Hodgkin são doenças distintas. O linfoma de Hodgkin tende a se espalhar de forma mais previsível pelo sistema linfático, o que facilita o planejamento do tratamento. Já os linfomas não-Hodgkin formam um grupo mais heterogêneo, com comportamentos clínicos variados.
A identificação correta do tipo de linfoma é fundamental para definir o tratamento e a expectativa de resposta do paciente.
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