Um surto do vírus Nipah no estado de Bengala Ocidental colocou a Índia em alerta sanitário nas últimas semanas e reacendeu a preocupação global com doenças emergentes de alto risco. Ao menos cinco casos foram confirmados, incluindo infecções em médicos e enfermeiros, o que levanta suspeitas de transmissão em ambiente hospitalar e amplia o nível de vigilância das autoridades de saúde.
Segundo informações da imprensa local, quase 100 pessoas foram orientadas a cumprir quarentena preventiva. Os pacientes infectados estão internados em hospitais de Calcutá, capital do estado. Um deles permanece em estado crítico, conforme boletins médicos divulgados nos últimos dias.
Casos entre profissionais de saúde aumentam preocupação
As três infecções mais recentes ocorreram entre profissionais que atuavam no mesmo hospital particular em Barasat, na região metropolitana de Calcutá. Duas enfermeiras da unidade já haviam testado positivo no início de janeiro, o que reforça a hipótese de transmissão de pessoa para pessoa dentro do ambiente hospitalar.
Especialistas alertam que esse tipo de contágio é um dos fatores que tornam o vírus Nipah especialmente perigoso. A virologista Rebecca Dutch, presidente da Universidade de Kentucky e referência internacional em vírus emergentes, afirmou que surtos da doença tendem a ocorrer de forma periódica. Para ela, é “extremamente provável” que novos episódios sejam registrados no futuro.
“O vírus Nipah é um dos que definitivamente podem causar uma nova pandemia. Vários aspectos do Nipah são muito preocupantes”, declarou a especialista em entrevista ao jornal britânico The Sun.
O que é o vírus Nipah
O vírus Nipah é um patógeno zoonótico, ou seja, pode ser transmitido entre animais e seres humanos. Ele foi identificado pela primeira vez em 1999, durante um surto na Malásia que atingiu criadores de suínos.
Desde então, casos esporádicos têm sido registrados principalmente no sul e no sudeste da Ásia, com maior concentração em países como Bangladesh e Índia.
Pertencente à família Paramyxoviridae, o vírus tem como principal reservatório natural os morcegos do gênero Pteropus, conhecidos como morcegos-frugívoros. Esses animais podem transmitir o patógeno diretamente aos humanos ou a outros animais, como porcos, que atuam como hospedeiros intermediários.
Como ocorre a transmissão
A infecção pode acontecer por contato direto com secreções corporais de animais infectados, como saliva, sangue, urina ou fezes. Outra forma comum de transmissão é o consumo de alimentos contaminados, especialmente frutas ou seiva de tamareira crua que tenham sido expostas a morcegos.
Também há registros de transmissão de pessoa para pessoa, sobretudo em ambientes de saúde e no contato próximo com pacientes infectados, o que exige protocolos rigorosos de isolamento e proteção individual.
Sintomas e evolução da doença
Os sintomas iniciais costumam surgir entre quatro e 14 dias após a exposição ao vírus. Na fase inicial, a doença pode apresentar sinais semelhantes aos de uma gripe comum, como:
- febre;
- dor de cabeça;
- dores musculares;
- náuseas e vômitos;
- dor de garganta.
Em alguns casos, a infecção pode ser assintomática ou evoluir de forma leve. No entanto, uma parcela significativa dos pacientes desenvolve quadros graves em pouco tempo.
O vírus Nipah pode causar encefalite, uma inflamação no cérebro que provoca confusão mental, sonolência, convulsões e, em situações extremas, coma. Também há risco de insuficiência respiratória, o que explica a necessidade de internação em unidades de terapia intensiva.
A taxa de letalidade varia conforme o surto, mas pode ultrapassar 70% em determinados contextos, segundo dados de organismos internacionais de saúde.
Tratamento ainda é limitado
Atualmente, não existe tratamento específico nem vacina aprovada contra o vírus Nipah. O atendimento médico se baseia em cuidados de suporte, como hidratação, controle de sintomas e suporte respiratório, incluindo ventilação mecânica nos casos mais graves.
Pesquisas estão em andamento para avaliar antivirais como ribavirina, aciclovir, cloroquina e favipiravir, além de terapias experimentais direcionadas ao vírus. Até o momento, porém, não há comprovação científica conclusiva sobre a eficácia desses medicamentos.
Devido ao alto potencial de causar surtos graves, o Nipah integra a lista de patógenos prioritários da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o desenvolvimento de tratamentos e vacinas.
Medidas de prevenção são essenciais
Enquanto não há imunização disponível, a prevenção segue como a principal estratégia. As recomendações incluem evitar contato com morcegos e porcos, não consumir frutas ou seiva de tamareira possivelmente contaminadas, cozinhar bem alimentos de origem animal e manter rigorosa higiene das mãos.
Em hospitais, o uso correto de equipamentos de proteção individual, como máscaras, luvas e aventais, é fundamental para reduzir o risco de transmissão entre pacientes e profissionais de saúde.
Autoridades sanitárias reforçam que a vigilância epidemiológica e a identificação rápida de casos suspeitos são decisivas para conter surtos e evitar uma disseminação mais ampla do vírus.
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