SUS lança teleatendimento psicológico para mulheres vítimas de violência

Segundo o Ministério da Saúde, a proposta é facilitar o acesso ao suporte psicológico e psiquiátrico para mulheres que enfrentam situações de violência

Eduardo Fogaça

Publicado em: 6 de março de 2026

5 min.
SUS lança teleatendimento psicológico para mulheres vítimas de violência. Foto: Divulgação/GettyImages

SUS lança teleatendimento psicológico para mulheres vítimas de violência. Foto: Divulgação/GettyImages

Mulheres expostas à violência ou em situação de vulnerabilidade psicossocial poderão acessar atendimento em saúde mental por meio de teleconsulta no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa começa neste mês nas cidades do Recife (PE) e do Rio de Janeiro (RJ) e deve ser ampliada para todo o país até junho.

De acordo com o Ministério da Saúde, a proposta é facilitar o acesso ao suporte psicológico e psiquiátrico para mulheres que enfrentam situações de violência ou outras condições de fragilidade emocional.

Como funcionará o atendimento

O serviço será realizado por meio de teleatendimentos com profissionais de diferentes áreas da saúde. Entre eles:

  • psiquiatras
  • psicólogos
  • assistentes sociais
  • terapeutas ocupacionais, em alguns casos

A primeira consulta terá como objetivo avaliar a situação da paciente, identificar possíveis riscos, mapear a rede de apoio e entender as principais demandas. A partir disso, poderá haver encaminhamento para serviços especializados da rede pública.

Como solicitar o teleatendimento

As mulheres poderão acessar o serviço de duas formas:

  • Encaminhamento por unidades de saúde, como UBS (Unidades Básicas de Saúde) e equipes da atenção primária;
  • Serviços da rede de proteção, que atuam em casos de violência;
  • Acesso direto pelo aplicativo Meu SUS Digital, que contará com um miniaplicativo específico.

Na plataforma digital, a usuária deverá realizar um cadastro inicial com informações sobre sua situação. Após essa etapa, o sistema enviará uma mensagem com data e horário do atendimento.

Expansão para todo o Brasil

Segundo o cronograma do Ministério da Saúde, o projeto será ampliado gradualmente:

  1. Março: início no Recife e no Rio de Janeiro
  2. Maio: expansão para cidades com mais de 150 mil habitantes
  3. Junho: disponibilidade para todo o país

A expectativa da pasta é realizar cerca de 4,7 milhões de teleatendimentos psicológicos por ano.

A ação será implementada em parceria com a AgSUS (Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS) e com o Proadi-SUS (Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde).

Apoio à saúde mental

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a estratégia busca ampliar o acesso ao cuidado em saúde mental e oferecer suporte especializado para mulheres em situações delicadas.

O modelo segue experiências recentes do ministério com teleatendimento para outros públicos, como pessoas com compulsão por jogos eletrônicos, adaptando o formato para a realidade da atenção primária e das redes de proteção.

A iniciativa pretende fortalecer a assistência do SUS, ampliar o acolhimento e garantir suporte profissional para mulheres que enfrentam violência ou extrema vulnerabilidade social.


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