Tratamento brasileiro faz jovem tetraplégico voltar a mexer os braços

O caso é o quinto registrado com evolução motora entre pacientes que receberam o tratamento em regime de uso compassivo.

Eduardo Fogaça

Publicado em: 20 de janeiro de 2026

6 min.
Tratamento brasileiro faz jovem tetraplégico voltar a mexer os braços. Foto: Divulgação/Redes Sociais

Tratamento brasileiro faz jovem tetraplégico voltar a mexer os braços. Foto: Divulgação/Redes Sociais

Um tratamento experimental brasileiro desenvolvido a partir de pesquisas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) voltou a chamar atenção após um jovem de 24 anos, que ficou tetraplégico depois de um acidente em uma cachoeira no Espírito Santo, recuperar movimentos dos braços apenas dez dias após a aplicação da substância conhecida como polilaminina.

O caso é o quinto registrado com evolução motora entre pacientes que receberam o tratamento em regime de uso compassivo. Um vídeo divulgado neste fim de semana mostra o momento em que o paciente consegue levantar e baixar os dois braços, além de apertar a mão do médico responsável pelo acompanhamento.

O que aconteceu com o paciente

Segundo o médico Mitter Mayer, coordenador do Grupo de Trabalho Intersetorial da Polilaminina no Espírito Santo, o jovem sofreu uma fratura na vértebra C7 após mergulhar em uma cachoeira no município de Santa Leopoldina. A lesão medular foi classificada como completa na altura da C4, o que resultou em tetraplegia.

A aplicação da polilaminina ocorreu no dia 7 de janeiro, dentro da chamada “janela terapêutica” de até 72 horas após o trauma. De acordo com o médico, esse período é considerado decisivo para aumentar as chances de resposta ao tratamento.

Movimentos voltaram após 10 dias

Ainda conforme o relato médico, dez dias após a injeção única da substância, o paciente começou a apresentar recuperação da força nos membros superiores. Além dos movimentos dos braços, ele também recuperou a sensibilidade até a altura do umbigo.

O nome do jovem não foi divulgado. Ele é o quinto paciente a apresentar sinais de recuperação motora após o uso compassivo da polilaminina, autorizado em caráter excepcional.

O que é a polilaminina

A polilaminina é um composto desenvolvido a partir de uma versão recriada em laboratório da laminina, proteína fundamental no desenvolvimento embrionário e no processo de conexão entre neurônios. A substância vem sendo estudada há mais de 20 anos pela UFRJ.

A pesquisa é liderada pela bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, em parceria com o laboratório farmacêutico brasileiro Cristália. O tratamento já teve etapas de testes aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e é apontado como uma possível alternativa para regeneração de lesões na medula espinhal.

Outros pacientes que apresentaram evolução

Antes do jovem capixaba, outros quatro pacientes já haviam apresentado respostas positivas ao tratamento:

  • 1º paciente: Luiz Fernando Mozer, de 37 anos, que sofreu lesão medular durante uma apresentação de motocross no Espírito Santo. Menos de 48 horas após a aplicação, voltou a sentir os membros inferiores e conseguiu contrair músculos da coxa e da região anal.
  • 2º paciente: Homem de 35 anos, tratado no Rio de Janeiro após queda de moto, apresentou leve movimento do pé e sensibilidade em partes das pernas.
  • 3º paciente: Bruno Drummond de Freitas, de 31 anos, diagnosticado com tetraplegia, que voltou a andar após o tratamento.
  • 4º paciente: Diogo Barros Brollo, de 35 anos, que ficou paraplégico no Rio de Janeiro e voltou a mexer o pé depois da aplicação da polilaminina.

Todos os procedimentos foram realizados com autorização da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep).

“Não é milagre, é medicina”

O médico Mitter Mayer reforça que os resultados não devem ser tratados como milagre. Segundo ele, a recuperação observada é fruto de ciência, método e tentativa dentro de critérios médicos rigorosos.

“Às vezes, o primeiro sinal não é um grande gesto. É um braço que se move. E isso muda tudo”, afirmou o médico ao comentar o caso mais recente.

De acordo com a Cristália Indústria Farmacêutica, até o dia 8 de janeiro pelo menos dez pacientes já haviam ingressado na Justiça para solicitar o direito de acesso ao tratamento experimental brasileiro.


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