Cinco anos após o período mais crítico da pandemia da COVID-19, o surgimento de novos vírus volta a despertar a atenção da população mundial. Entre eles está o vírus Nipah, que tem gerado preocupação em alguns países e levantado dúvidas sobre a possibilidade de uma nova crise sanitária global. Para esclarecer o tema, a Rádio Cidade ouviu o médico infectologista Dr. Rogério Sobroza, que detalhou o que é o vírus, como ocorre a transmissão e quais são os riscos reais neste momento.
O que é o vírus Nipah e onde ele ocorre
Segundo o especialista, o vírus Nipah não é uma novidade para a ciência. Ele é conhecido desde 1998 e apresenta um comportamento endêmico em regiões específicas da Ásia.
O vírus é transmitido principalmente por morcegos frugívoros, que contaminam frutas por meio da saliva. A infecção pode ocorrer quando outros animais, como porcos, entram em contato com essas frutas ou quando o ser humano consome alimentos contaminados. Historicamente, muitos surtos estiveram ligados a criadores de suínos e trabalhadores de frigoríficos, sempre associados ao contato direto com animais.
Por que o surto atual chama a atenção
O que diferencia a situação atual é o registro de dois casos entre profissionais de saúde na Índia. De acordo com Dr. Rogério Sobroza, esses pacientes não tiveram contato direto com animais, o que indica a possibilidade de transmissão entre seres humanos.
Embora essa forma de transmissão já fosse conhecida, ela costuma ocorrer em contextos muito específicos. Atualmente, cerca de 110 pessoas que tiveram contato com os profissionais infectados estão sendo monitoradas em quarentena, e até o momento nenhuma apresentou sintomas.
“O acompanhamento rigoroso é fundamental justamente para conter o vírus ainda no início e evitar que ele sofra mutações que aumentem sua transmissibilidade”, explica o infectologista.
Sintomas e diferenças em relação à COVID-19
Uma dúvida comum da população é se o vírus Nipah apresenta sintomas semelhantes aos da COVID-19. Segundo o especialista, os vírus são bastante diferentes.
Estruturalmente, o Nipah se assemelha mais ao vírus do sarampo. Já do ponto de vista clínico e epidemiológico, ele lembra doenças como o Ebola, pois é transmitido por secreções corporais, como sangue e fluidos, e não por aerossóis, como ocorre com vírus respiratórios.
A transmissibilidade é considerada baixa, mas a gravidade da doença é alta.
Alta letalidade e facilidade de identificação
Um dos aspectos mais preocupantes do vírus Nipah é a taxa de letalidade. Dados apontam que cerca de duas em cada três pessoas infectadas podem evoluir para óbito.
Isso ocorre porque o vírus tem forte tendência de atingir o cérebro, causando encefalite, uma inflamação cerebral grave. Por ser um quadro clínico específico e incomum, a doença tende a ser identificada com mais rapidez do que infecções respiratórias comuns.
“O grande desafio em pandemias é quando há muitos casos assintomáticos que transmitem a doença sem serem percebidos. No caso do Nipah, os sintomas são graves e evidentes, o que facilita a contenção”, destaca o médico.
Há risco de uma nova pandemia?
Apesar da atenção necessária, o especialista reforça que, no cenário atual, não há indicativos de uma nova pandemia semelhante à da COVID-19. A baixa transmissibilidade entre humanos e a rápida identificação dos casos reduzem significativamente esse risco.
A principal recomendação é buscar informações em fontes confiáveis e evitar o alarmismo, especialmente em um período em que a população ainda sente os impactos emocionais da pandemia recente.
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