A Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) iniciou uma campanha de informação e conscientização para alertar a população sobre o chamado “golpe do falso advogado”, uma fraude que tem feito vítimas em todo o país e causado prejuízos financeiros e emocionais.
O objetivo da iniciativa é orientar os cidadãos sobre como o golpe funciona, quais sinais indicam tentativa de fraude e quais cuidados podem evitar novos casos. A prática criminosa costuma ocorrer por meio de mensagens no WhatsApp ou ligações telefônicas em que os golpistas se passam por advogados, integrantes de escritórios ou até representantes do sistema de Justiça.
Segundo estimativas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), mais de 17 mil pessoas já foram vítimas desse tipo de golpe no Brasil.
Como funciona o golpe
De acordo com autoridades e representantes da advocacia, os criminosos utilizam informações públicas de processos judiciais para tornar o contato mais convincente.
A abordagem costuma seguir um padrão:
- O golpista entra em contato com a vítima por WhatsApp ou telefone;
- Ele afirma que existe um valor a receber em um processo judicial, muitas vezes real;
- Em seguida, informa que é necessário pagar custas, taxas ou impostos para liberar o dinheiro;
- O pagamento geralmente é solicitado por Pix ou boleto, quase sempre em nome de terceiros.
Para dar credibilidade à fraude, os criminosos costumam utilizar:
- nome e foto reais de advogados;
- número verdadeiro de registro na OAB;
- dados públicos do processo;
- linguagem jurídica para parecer profissional;
- chamadas de vídeo ou vídeos manipulados com uso de inteligência artificial.
Fraude preocupa autoridades e advogados
A preocupação com o crescimento desse tipo de crime foi destacada na tribuna da Alesc pelo deputado estadual Ivan Naatz (PL), que também atua como advogado.
Segundo ele, a população deve redobrar a atenção diante de qualquer pedido de pagamento urgente relacionado a processos judiciais.
“O pedido de transferência de dinheiro, especialmente via Pix, deve sempre ser confirmado diretamente com o advogado responsável. Em caso de dúvida, o ideal é buscar contato presencial ou pelos canais oficiais”, orientou.
Para a advocacia, o problema também traz impactos na relação de confiança com os clientes. Criminosos têm utilizado dados públicos de processos para criar histórias detalhadas e convincentes, o que acaba gerando dúvidas e insegurança.
Casos também foram registrados em Santa Catarina
Em Santa Catarina, a OAB-SC já contabiliza centenas de relatos de uso indevido de nomes e registros profissionais de advogados.
Segundo o presidente da entidade, Juliano Mandelli, o golpe costuma explorar a expectativa das vítimas em receber valores de processos.
“O estelionatário se passa por integrante do sistema de Justiça ou advogado e diz que a vítima terá um ganho processual. Para liberar o valor, pede o pagamento de taxas. Na expectativa de receber o dinheiro, a pessoa acaba fazendo o pagamento”, explicou.
A Defensoria Pública do Estado também registrou aumento na procura por orientação. O defensor público Edson Schmitt relatou que sua própria imagem já foi utilizada por criminosos em mensagens enviadas a assistidos.
Segundo ele, idosos e pessoas que aguardam aposentadorias ou precatórios estão entre os principais alvos do golpe.
O que fazer se já foi vítima
Caso a pessoa perceba que caiu no golpe, a recomendação é agir rapidamente. As principais medidas são:
- Entrar em contato imediato com o banco;
- Solicitar o Mecanismo Especial de Devolução (MED) para transações via Pix;
- Registrar boletim de ocorrência;
- Guardar comprovantes e conversas com o golpista;
- Denunciar perfis falsos nas plataformas utilizadas.
Quanto mais rápido for o aviso às instituições financeiras, maiores são as chances de bloquear ou recuperar o valor transferido.
Como se proteger de golpes
Especialistas reforçam que alguns cuidados simples podem evitar prejuízos:
- Desconfie de mensagens que prometem liberação de valores mediante pagamento;
- Confirme sempre o contato com seu advogado pelos canais oficiais;
- Nunca realize transferências sem verificar a origem do pedido;
- Consulte o cadastro do profissional no site da OAB;
- Não informe senhas ou dados bancários a terceiros.
A regularidade de advogados pode ser conferida pelo site oficial: https://confirmadv.oab.org.br/
Em caso de dúvida, a orientação é procurar diretamente o escritório do advogado ou a Defensoria Pública. Para as autoridades, informação e verificação são as principais armas contra esse tipo de crime.
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