Monitoramento constante e comunicação eficiente com a população são apontados como fatores decisivos para mitigar os impactos de desastres naturais e reduzir riscos à vida em Santa Catarina. Esse trabalho, que hoje funciona de forma integrada e permanente, é resultado de uma evolução construída ao longo dos anos, baseada em estudos técnicos, experiências passadas e na compreensão do comportamento da população diante de situações de risco.
Um documento elaborado em 2011 pelo Centro de Estudos e Pesquisas em Engenharia e Defesa Civil (CEPED), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ajuda a entender como esse processo foi estruturado e aprimorado. O conteúdo foi resgatado pelo jornalista Matheus Machado, da Rádio Cidade Tubarão 103.7 FM, do Grupo SCTODODIA de Comunicação, e detalha os pilares que orientam a atuação da Defesa Civil no estado.
Monitorar para agir antes do desastre
De acordo com o Manual de Capacitação Básica em Defesa Civil, o monitoramento é a etapa em que todas as possibilidades de risco são acompanhadas diante de uma ameaça. Esse acompanhamento pode ocorrer por observação direta ou com o uso de equipamentos tecnológicos, levando em conta dados meteorológicos, geológicos e também fatores humanos, como a expansão urbana em áreas consideradas vulneráveis.
O objetivo é antecipar cenários e permitir que decisões sejam tomadas antes que a situação se agrave, reduzindo danos materiais e, principalmente, protegendo vidas.
Alerta e alarme: conceitos que fazem diferença
O documento destaca ainda a importância de diferenciar alerta e alarme.
- Alerta é a fase preventiva, emitida antes do desastre, com o objetivo de preparar a população.
- Alarme ocorre quando o evento já está em andamento e exige ação imediata.
Para que o alerta seja eficiente, ele precisa ser claro, compreensível e adequado ao nível de informação da comunidade que o recebe.
A lição do furacão de 2004
Um dos exemplos citados no manual ocorreu em 2004, quando a Defesa Civil de Santa Catarina recebeu um aviso meteorológico sobre a aproximação de um fenômeno classificado como furacão, que atingiria municípios do litoral sul do estado.
Naquele momento, o termo “furacão” era inédito no contexto catarinense e poderia causar pânico na população, que não saberia como agir. A solução encontrada foi orientar os moradores a se prepararem para ventos fortes e tempestades, sem utilizar a nomenclatura técnica do fenômeno. A estratégia levou em conta o conhecimento prévio da comunidade e garantiu uma comunicação eficiente, sem alarmismo.
Monitoramento 24 horas e margem de segurança
Atualmente, a política de alertas segue em constante evolução. A lógica adotada é trabalhar sempre com uma margem de segurança maior, evitando surpresas.
Em entrevista à Rádio Cidade Tubarão 103.7 FM, o sargento Jefferson Silva, coordenador regional da Defesa Civil da Amurel, explicou que o monitoramento ocorre de forma ininterrupta, em conjunto com o setor de meteorologia da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil.
Segundo ele, os alertas muitas vezes são emitidos considerando um cenário mais grave do que o previsto. A estratégia busca garantir que, caso a situação se intensifique, a população já esteja informada e preparada. O coordenador reforça que, mesmo em cenários de risco alto, não há motivo para pânico, já que o acompanhamento é constante e as informações são atualizadas sempre que necessário, por meio das redes sociais oficiais, rádios e outros canais de comunicação.
Informação como ferramenta de proteção
O manual do CEPED reforça que o gestor responsável pela emissão dos alertas deve avaliar como a população irá reagir à informação divulgada. Mais do que seguir protocolos, é fundamental interpretar a realidade local, o nível de preparo da comunidade e definir a melhor forma de comunicação.
A conclusão é clara: a proteção de vidas depende diretamente de uma população bem informada, orientada e preparada para agir no momento certo.
As informações são do repórter Matheus Machado, da Rádio Cidade 103.7 FM de Tubarão, do Grupo SCTODODIA de Comunicação.
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