Delegado alerta sobre golpe do falso advogado após vítima perder R$ 16 mil

Em Laguna, uma pessoa perdeu mais de R$ 16 mil após receber mensagens de criminosos que se passaram por um escritório de advocacia

Eduardo Fogaça

Publicado em: 13 de março de 2026

7 min.
Delegado alerta sobre golpe do falso advogado após vítima perder R$ 16 mil. Foto: Divulgação

Delegado alerta sobre golpe do falso advogado após vítima perder R$ 16 mil. Foto: Divulgação

O chamado “golpe do falso advogado” tem feito vítimas em diversas regiões do país e também já foi registrado no Sul de Santa Catarina. Em Laguna, uma pessoa perdeu mais de R$ 16 mil após receber mensagens de criminosos que se passaram por um escritório de advocacia e pediram transferências para liberar um suposto valor de processo judicial.

Para explicar como funciona esse tipo de fraude e orientar a população, o delegado Rubem Teston, coordenador da Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Laguna, concedeu entrevista à Rádio Cidade Tubarão 103.7 FM.

Golpe já ocorre há anos e é registrado em vários países

Durante a entrevista, o delegado explicou que esse tipo de crime não é recente e ocorre em diversas partes do mundo.

“Já faz alguns anos que esse golpe vem ocorrendo com bastante frequência. Na verdade, ele não é uma exclusividade do Brasil. É um tipo de fraude que acontece ao redor do mundo”, afirmou.

Segundo Teston, nas investigações de crimes eletrônicos essa prática é conhecida como Advanced Fee Fraud, quando criminosos convencem a vítima a pagar uma taxa antecipada para receber um valor que, na realidade, não existe.

Criminosos usam informações públicas para enganar vítimas

De acordo com o delegado, os golpistas costumam pesquisar processos judiciais disponíveis em consultas públicas para identificar pessoas que podem estar esperando receber dinheiro.

“Muitas vezes o criminoso descobre que a vítima tem algum valor a receber ou um processo em andamento. Com uma simples pesquisa, ele consegue identificar essa situação”, explicou.

Depois disso, o golpista entra em contato com a vítima, geralmente por telefone ou WhatsApp, se passando pelo advogado responsável pelo caso.

“Ele coloca uma foto no perfil, muitas vezes com a imagem do verdadeiro advogado, e diz que houve uma sentença favorável. Em seguida afirma que, para a expedição do alvará, é necessário fazer um pagamento imediato”, disse.

Expectativa de receber dinheiro facilita a fraude

Segundo Teston, o golpe costuma funcionar justamente porque a vítima está aguardando uma decisão judicial ou algum valor relacionado ao processo.

“Pela expectativa de receber esse dinheiro, e também por ver a foto do procurador no perfil, muitas pessoas acabam acreditando e fazendo a transferência”, destacou.

O delegado também ressaltou que a fraude pode prejudicar a reputação de advogados que têm seus nomes utilizados indevidamente pelos criminosos.

“Muitas pessoas acabam pensando que o advogado verdadeiro tem relação com o pedido, quando na verdade é um golpista se passando pelo profissional”, afirmou.

Polícia Civil investiga casos e tenta rastrear o dinheiro

Sempre que um caso é registrado, a Polícia Civil inicia investigação para tentar identificar os responsáveis pelo crime.

“A partir do momento que recebemos a informação por meio do boletim de ocorrência, instauramos inquérito e começamos a seguir o dinheiro para identificar quem recebeu os valores”, explicou.

De acordo com o delegado, esses crimes geralmente envolvem organizações criminosas que atuam em vários estados, aplicando golpes em diferentes regiões do país.

“Nós contamos também com o intercâmbio de informações com a Polícia Civil de outros estados para identificar todos os envolvidos”, disse.

Rapidez da vítima pode ajudar na investigação

Outro ponto destacado durante a entrevista foi a importância de procurar a polícia imediatamente após perceber o golpe.

“Passa muito pela rapidez da vítima em perceber que foi alvo de um golpe e procurar a Polícia Civil. Quanto mais rápido somos informados, maiores são as chances de sucesso na investigação”, ressaltou.

Segundo Teston, com o uso de PIX e bancos digitais, o dinheiro pode ser movimentado rapidamente, o que dificulta a recuperação dos valores após alguns dias.

Pena pode chegar a oito anos de prisão

O delegado também lembrou que o estelionato praticado pela internet tem punição mais severa desde 2021.

A pena prevista é de quatro a oito anos de reclusão, podendo ser aumentada em um terço quando a vítima é idosa, ou seja, tem mais de 60 anos.


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