Criciúma lidera o número de ocorrências de furtos de fios em Santa Catarina, com 116 registros, e a Polícia Civil enfrenta dificuldades para chegar à identificação dos autores e concluir os inquéritos. A informação foi detalhada pelo delegado Fernando Possamai, responsável pela 2ª Delegacia de Polícia Civil do município, ao explicar por que esse tipo de investigação costuma demandar mais tempo.
Segundo o delegado, o principal entrave está na identificação da autoria e na comprovação da materialidade do crime. Na maioria dos casos, os suspeitos só são responsabilizados quando flagrados no momento da subtração. Fora isso, a ausência de testemunhas e a baixa qualidade das imagens de câmeras de segurança dificultam o avanço das investigações.
“O problema não é a demora do procedimento. Com a identificação do autor, o inquérito pode ser concluído em até 30 dias. A grande dificuldade é identificar quem praticou o crime e comprovar a materialidade”, explicou.
Falta de flagrante e provas técnicas dificultam apuração
De acordo com o delegado, os criminosos costumam agir rapidamente, cortando o cabeamento e deixando o local antes da chegada das guarnições da Polícia Militar. Quando acionadas por moradores ou empresas, muitas vezes as equipes já não encontram os suspeitos.
Além disso, após o corte, o fio geralmente é descascado e o cobre derretido, o que praticamente impede a identificação da origem do material. Para que haja responsabilização criminal, é necessário comprovar tanto a autoria quanto a materialidade do delito, exigência do Judiciário para o andamento da ação penal.
“Sem o objeto furtado ou uma prova técnica que comprove de onde aquele cobre foi retirado, há dificuldade na responsabilização”, ressaltou.
Tecnologias podem auxiliar no combate ao crime
Possamai citou alternativas já adotadas em outros estados que poderiam reduzir os casos em Santa Catarina. Uma delas é a instalação de sistemas antifurto que detectam automaticamente o corte do fio e enviam alerta imediato à central da empresa distribuidora de energia, permitindo acionamento mais rápido da polícia.
Outra medida seria a identificação do cobre por meio de pintura específica, possibilitando rastrear a origem do material em caso de apreensão com suspeitos ou receptadores.
Segundo o delegado, apesar de envolver custos, essas soluções podem facilitar tanto a prevenção quanto a investigação dos crimes.
Perfil dos suspeitos e reincidência
Sobre o alto número de ocorrências em Criciúma, o delegado apontou que, na maioria dos casos, não há organização criminosa estruturada atuando na prática. Os furtos seriam cometidos por pessoas em situação de rua ou usuários de drogas, que veem no cobre uma forma rápida de obter dinheiro.
O material tem fácil comercialização e valor elevado no mercado, o que estimula a prática do crime. Alguns estados, inclusive, já substituem o cobre por alumínio em determinadas estruturas para reduzir o interesse na revenda.
Possamai também confirmou que há reincidência entre os autores. No entanto, a legislação e entendimentos jurisprudenciais podem dificultar a aplicação de penas mais severas quando o valor do material furtado é considerado baixo.
Impactos para a população
Além do prejuízo financeiro às empresas e ao poder público, o furto de fios causa interrupção no fornecimento de energia, transtornos à população e riscos à segurança.
A Polícia Civil reforça que, sempre que comunicada, instaura inquérito policial para apuração. No entanto, a colaboração da comunidade, com denúncias e informações que auxiliem na identificação dos suspeitos, é fundamental para avançar nas investigações.
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