Homem é condenado a mais de 106 anos de prisão por crimes sexuais em SC

Sentença reconhece atuação em série, violência extrema e crimes cometidos em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul

José Demathé

Publicado em: 16 de janeiro de 2026

6 min.

Homem é condenado a mais de 106 anos de prisão por crimes sexuais em SC Foto: Freepik

A Justiça de Santa Catarina condenou um homem a 106 anos, 1 mês e 21 dias de reclusão, em regime inicial fechado, por uma série de crimes graves praticados de forma reiterada contra mulheres em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. A sentença é resultado de investigação conduzida pela Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI), da Polícia Civil catarinense.

O réu foi responsabilizado por crimes como estupros, roubos majorados com uso de arma de fogo, restrição da liberdade das vítimas e extorsão mediante sequestro. Além da pena privativa de liberdade, também foi aplicada pena pecuniária, considerando a gravidade e a multiplicidade dos delitos.

Atuação em série e violência extrema

Durante o processo, o Judiciário reconheceu que os crimes foram cometidos com violência extrema, grave ameaça e alto grau de crueldade. Em ao menos um dos episódios, ficou comprovada a administração forçada de substância sedativa, o que causou sonolência intensa, confusão mental e lapsos de memória nas vítimas, ampliando sua vulnerabilidade.

As investigações apontaram um modus operandi recorrente: o autor se aproximava das vítimas por meio de contato prévio, utilizava dissimulação para ganhar confiança e, durante os encontros, sacava uma arma de fogo, restringia a liberdade por horas, cometia violência sexual e subtraía bens pessoais.

Crimes em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul

Ao todo, foram identificadas ao menos sete vítimas. Quatro casos ocorreram na Comarca de Araranguá, envolvendo os municípios de Araranguá e Balneário Arroio do Silva. Outros três crimes com o mesmo padrão foram registrados em Vacaria, no Rio Grande do Sul, o que levou à atuação conjunta das polícias civis dos dois estados.

O primeiro crime identificado ocorreu em outubro de 2021, em Balneário Arroio do Silva. Na ocasião, a vítima permaneceu sob cárcere privado durante toda a noite e teve bens subtraídos. O agressor ainda exigiu dinheiro de um familiar, caracterizando extorsão mediante sequestro.

Provas consideradas robustas pela Justiça

Na sentença, o Judiciário destacou a coerência dos relatos das vítimas, os reconhecimentos realizados, os laudos periciais e os elementos técnicos colhidos durante a investigação policial. Outro fator que pesou na dosimetria da pena foi o fato de os crimes terem sido praticados enquanto o réu já cumpria pena em outro processo, circunstância considerada agravante.

Após cerca de dois meses de investigação, o acusado foi preso preventivamente em Balneário Arroio do Silva, em operação conjunta da DPCAMI de Araranguá com a Polícia Civil de Vacaria. Com ele, foram apreendidos a arma de fogo utilizada nos crimes e bens pertencentes às vítimas.

Importância da denúncia e do trabalho especializado

Em nota, a Polícia Civil reforçou o compromisso com o enfrentamento rigoroso da violência sexual e destacou a importância das DPCAMIs como unidades especializadas não apenas no acolhimento de vítimas, mas também na condução de investigações complexas, que envolvem crimes sexuais, feminicídios, exploração de crianças e adolescentes e delitos praticados por meio virtual.

Casos como este, segundo a instituição, evidenciam a relevância da denúncia, do investimento em investigação técnica e da resposta firme do sistema de justiça diante de crimes de extrema gravidade.


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