Durante mais de 20 dias, uma família inteira viveu sob o peso do medo, em uma residência, em em Gaspar, um homem, de 37 anos, usuário de drogas e em profundo surto psicótico, mantinha a própria moradia como território sitiado. Ameaçava a irmã. Dizia que atiraria em qualquer um que tentasse socorrê-lo. E, em momentos de descontrole, apontava o revólver calibre .38 — legalmente registrado em seu nome — contra a própria cabeça.
O pesadelo só terminou na manhã dessa terça-feira (10), quando a Polícia Militar foi acionada para atender uma ocorrência, na Rua Rudolpho Speckhahn, no bairro Santa Catarina. Por volta das 10h15, a solicitante, uma mulher de 40 anos, relatou aos policiais que seu irmão, de 37 anos, estava em surto há mais de 20 dias e que havia uma arma de fogo na residência. O medo era concreto: ele prometia atirar em quem chamasse o Samu ou a polícia.
Ao chegarem ao local, os policiais militares encontraram o homem em frente ao imóvel, visivelmente inquieto e nervoso. O pai do suspeito confirmou a versão da filha: o filho sofria de síndrome de perseguição, era usuário de drogas e, embora possuísse registro legal da arma, o estado psicológico em que se encontrava tornava qualquer cenário possível.
Diante dos relatos e do risco iminente, a guarnição realizou buscas no interior da oficina do homem. Lá, foi localizado um revólver calibre .38, acabamento em aço inox, acompanhado de 25 munições do mesmo calibre e 5 cartuchos deflagrados, todos da marca CBC.
A arma de fogo, embora registrada, foi apreendida devido ao histórico clínico e ao comportamento agressivo do indivíduo. O homem foi encaminhado ao Hospital Regional de Gaspar pelo Samu para atendimento psiquiátrico. O armamento foi entregue no Setor Técnico do Batalhão para os procedimentos cabíveis.