Criciúma
Jovem morta pela polícia morava com traficante
Policiais encontraram caderno na residência, com anotações de venda de drogas com letra feminina

A Delegacia de Combate a Drogas (DECOD), do Departamento de Investigação Criminal (DIC) de Criciúma, realizou uma operação contra uma organização criminosa envolvida com o tráfico de drogas e posse ilegal de armas. Durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão contra um dos investigados, K.O.F, a abordagem policial resultou em um desfecho trágico: a morte de Thamily Venâncio Ereno, de 23 anos.
As investigações da DECOD apontaram que a organização criminosa era liderada por M.L.F e K.O.F. Monitoramentos, interceptações telefônicas e telemáticas revelaram que os suspeitos portavam armas de diversos calibres e comercializavam drogas. Diante dos indícios, a polícia obteve autorização judicial para cumprir mandados.
No dia 13 de fevereiro de 2025, agentes da DECOD realizaram uma operação na residência de K., onde ele vivia com sua companheira. Durante a ação, foram apreendidos munições calibre .380, utensílios para fracionamento de drogas, mais de um quilo de maconha e um caderno com anotações suspeitas, cuja grafia era feminina, o que levanta questionamentos sobre o envolvimento de mais alguém no esquema criminoso. O material será submetido a exame grafotécnico.
Com base nas provas obtidas, a Justiça determinou a prisão de K., que fugiu após a decisão. Em conversa com familiares, sua companheira mencionou que estavam “construindo uma vida juntos” e que “estamos com nossa casa, trabalhando e conquistando nossas coisas devagarinho” [mesmo que os pais não vão entender ou não vão aceitar]. A declaração contrasta com as evidências coletadas pela polícia, que apontam para a participação de K. e possíveis associados no tráfico de drogas.
O caso teve um desdobramento crítico no dia 21 de março. K. entrou em um veículo de transporte por aplicativo, onde já estava sua companheira. Quatro policiais civis abordaram o automóvel e deram voz de abordagem. No entanto, segundo relatório da corporação, o motorista do veículo teria dado marcha ré em direção aos agentes e à viatura, resultando em uma reação dos policiais. O confronto levou a um desfecho trágico.
“A verdade é dura e precisa ser revelada, para evitar pré-julgamentos, tão comuns nos tempos atuais”, declara o delegado-geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel.
[Print da conversa de Thamily com a mãe]