Mapa do Feminicídio revela padrão de violência em Santa Catarina

O chamado Mapa do Feminicídio reúne dados de crimes ocorridos entre 2020 e 2024 e revela padrões preocupantes

Eduardo Fogaça

Publicado em: 1 de abril de 2026

5 min.
Mapa do Feminicídio revela padrão de violência em Santa Catarina. Foto: Divulgação/MPSC

Mapa do Feminicídio revela padrão de violência em Santa Catarina. Foto: Divulgação/MPSC

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) divulgou um levantamento inédito que expõe a realidade da violência contra a mulher no estado. O chamado Mapa do Feminicídio reúne dados de crimes ocorridos entre 2020 e 2024 e revela padrões preocupantes: a maioria dos casos acontece dentro de relações afetivas e muitas vítimas já haviam sofrido violência anteriormente.

De acordo com a promotora de Justiça Chimelly Louis Marcon, coordenadora do Núcleo de Enfrentamento a Violências e Apoio às Vítimas (NEAVIT), o estudo permite compreender melhor o fenômeno no estado.

“O Mapa é um documento que faz um levantamento de todos os crimes de feminicídio praticados entre 2020 e 2024. A partir da análise dos processos judiciais, conseguimos extrair indicadores que mostram como essa violência tem se comportado ao longo do tempo em Santa Catarina”, explicou.

Números estáveis ao longo dos anos

Um dos principais pontos destacados pelo levantamento é a estabilidade nos casos de feminicídio. Apesar de oscilações pontuais — com picos em 2022 e 2023 e queda em 2024 — os dados seguem um padrão contínuo.

“Os números se mostram estáveis ao longo do tempo. Mesmo com a redução de outros indicadores de criminalidade, o feminicídio mantém uma linearidade histórica”, afirmou a promotora.

Segundo ela, esse cenário exige atenção específica do poder público.

“Para enfrentarmos os feminicídios, precisamos de ferramentas próprias. O combate à criminalidade em geral não tem surtido os mesmos efeitos nesse tipo de crime”, completou.

Violência concentrada em regiões específicas

O levantamento também aponta concentração territorial dos casos. Em números absolutos, os maiores registros estão em cidades como:

  • Joinville
  • Florianópolis
  • Chapecó
  • Blumenau
  • Itajaí

No entanto, a análise proporcional revela um cenário diferente, com maior incidência em regiões do interior.

“Quando analisamos os dados por população, percebemos uma interiorização da violência, com maior concentração em um corredor no Oeste catarinense”, destacou Chimelly.

Regiões com maior taxa de feminicídio

Entre as regiões com índices mais elevados, estão:

  • Xanxerê: taxa de 5,5
  • São Lourenço do Oeste: taxa de 6,98
  • Lages: taxa de 2,56

A média estadual é de 1,7 casos por 100 mil mulheres, o que evidencia a gravidade em algumas localidades.

“Estamos falando de regiões em que a taxa praticamente dobra ou até quadruplica em relação à média estadual”, ressaltou a promotora.

Além disso, o Sul do estado também exige atenção.

“A região de Araranguá também concentra um número significativo de feminicídios, o que demanda políticas públicas específicas de prevenção e enfrentamento”, pontuou.

Diagnóstico ajuda na prevenção

Para o MPSC, o levantamento é uma ferramenta estratégica para orientar ações mais eficazes.

“A partir do momento em que conhecemos a realidade e entendemos as causas e regionalidades, conseguimos pensar em mecanismos de prevenção e enfrentamento muito mais eficientes”, concluiu Chimelly.

O estudo reforça que o feminicídio, na maioria dos casos, não é um evento isolado, mas o desfecho de um ciclo de violência que já vinha acontecendo.


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