O namorado da delegada Layla Lima Ayub, presa na manhã desta terça-feira durante a Operação Serpens, é apontado pela Polícia Civil como integrante e uma das lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC) na região Norte do país. A informação foi confirmada por autoridades envolvidas na investigação.
O que se sabe até agora
Segundo a Polícia Civil, Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como Dedel, mantinha relacionamento com a delegada e chegou a participar da cerimônia oficial de posse dela, realizada no dia 19 de dezembro de 2025, na Academia de Polícia, em São Paulo.
Uma fotografia mostra Jardel e Layla do lado de fora da Academia, abraçados e trajando roupas formais, logo após o evento oficial.
De acordo com as investigações:
- Jardel é apontado como uma das lideranças do PCC na região Norte;
- Ele vivia com a delegada em São Paulo enquanto estava em liberdade condicional;
- O período coincide com o curso de formação de Layla na Academia da Polícia.
Ministério Público aponta “audácia”
O promotor Carlos Gaya, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), classificou a presença de Jardel na posse como um “demonstrativo de audácia”.
“Ela é advogada, ciente de que ele estava descumprindo o sistema de livramento condicional e ciente de que ele se autodenominava membro da facção. Mesmo assim, leva ele na posse dela. Parece um deboche”, afirmou o promotor.
Apesar disso, o Ministério Público afirma que não há indícios de que a carreira da delegada tenha sido financiada pela facção criminosa.
Investigação aponta cooptação posterior
Segundo o Gaeco, a principal hipótese é de que Layla tenha sido cooptada individualmente, a partir de contatos com integrantes do PCC durante sua atuação como advogada criminalista, vínculo que teria se aprofundado com o relacionamento com Jardel.
“Não parece que ela foi cooptada para ser delegada do PCC. Foi uma ação individual”, disse Carlos Gaya.
Compra de padaria e suspeita de lavagem de dinheiro
As investigações também apuram a suspeita de lavagem de dinheiro. O casal é investigado por possível tentativa de compra de uma padaria em Itaquera, na zona Leste de São Paulo.
Segundo o Ministério Público:
- Havia tratativas para aquisição do estabelecimento;
- Foram encontrados contratos preliminares;
- A propriedade ainda não havia sido oficialmente transferida;
- Existe a suspeita de uso de “laranja” ou contrato informal.
Situação funcional da delegada
O secretário de Segurança Pública informou que Layla não apresentava condutas anteriores que a desabonassem. No entanto, o delegado Nico Gonçalves destacou que todos os aprovados em concurso permanecem em estágio probatório por três anos, período em que podem ser investigados.
Layla está presa temporariamente por 30 dias, com possibilidade de prorrogação por igual período, enquanto avançam as apurações.
Entenda a Operação Serpens
A Operação Serpens é conduzida pelo Ministério Público de São Paulo, pela Corregedoria-Geral da Polícia Civil e pelo Gaeco do Pará.
Entre os principais pontos da investigação:
- Layla teria atuado como advogada em uma audiência de custódia no Pará, defendendo quatro presos por tráfico de drogas e associação criminosa;
- A audiência ocorreu após sua posse como delegada, o que é proibido pelo Estatuto da Advocacia;
- Além do mandado de prisão contra Layla, o namorado também foi preso;
- Sete mandados de busca e apreensão foram cumpridos em São Paulo e Marabá (PA).
Antes de assumir o cargo, Layla atuou como policial no Espírito Santo e como consultora jurídica no Pará. Nas redes sociais, se apresentava como ex-advogada criminalista.
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