Polícia afasta envolvimento de desafios virtuais no caso do cão Orelha

A Polícia Civil segue ouvindo adolescentes e analisando provas técnicas enquanto o caso provoca mobilização popular e atos por justiça em Santa Catarina e em outras capitais do país

Redação

Publicado em: 2 de fevereiro de 2026

6 min.
Polícia afasta envolvimento de desafios virtuais no caso do cão Orelha - Foto: Reprodução/Redes Sociais

Polícia afasta envolvimento de desafios virtuais no caso do cão Orelha - Foto: Reprodução/Redes Sociais

A Polícia Civil de Santa Catarina informou que, até o momento, não há indícios de que as agressões que resultaram na morte do cão comunitário Orelha, em Florianópolis, tenham relação com grupos criminosos que utilizam redes sociais para promover desafios violentos entre adolescentes. Apesar disso, as investigações seguem em andamento e novos depoimentos devem ocorrer nos próximos dias.

Orelha morreu após ser agredido no dia 4 de janeiro, na Praia Brava, bairro turístico da capital catarinense. O animal era conhecido na região por ser cuidado coletivamente por moradores e comerciantes locais. A apuração está a cargo da Delegacia Especializada de Adolescentes em Conflito com a Lei (Deacle) e envolve um grupo de quatro adolescentes suspeitos de participação nos maus-tratos.

Segundo o delegado responsável pelo caso, dois dos jovens já prestaram depoimento e outros dois devem ser ouvidos na próxima semana. As oitivas ocorrerão com a presença de um responsável legal, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A Polícia Civil não divulga datas, horários ou locais das audiências, em razão do sigilo legal que envolve o procedimento.

Durante a investigação, um adolescente que inicialmente teve a imagem divulgada como suspeito passou a ser tratado como testemunha. A mudança ocorreu após a análise de vídeos e a apresentação de provas pela família, que indicam que ele não estava na Praia Brava no período relevante dos fatos. De acordo com a Polícia Civil, o jovem não aparece nas imagens utilizadas na apuração.

Um dos principais desafios enfrentados pela equipe policial é a ausência de registros visuais diretos do momento das agressões. Ainda assim, vídeos de outros episódios de vandalismo e confusão ocorridos na mesma região e período estão sendo analisados para cruzamento de informações. A Polícia Científica atua no melhoramento das imagens disponíveis, buscando viabilizar comparações faciais, enquanto dados extraídos de celulares apreendidos podem ajudar a esclarecer a dinâmica do caso.

Na semana passada, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão contra adolescentes investigados, recolhendo aparelhos celulares e peças de vestuário. Dois dos suspeitos estavam fora do país e retornaram ao Brasil na quinta-feira (29), data em que parte das diligências foi realizada. Outros mandados já haviam sido cumpridos anteriormente em endereços de jovens que estavam no território nacional.

Além do episódio envolvendo Orelha, os adolescentes também são investigados por possível envolvimento em outros atos ilícitos registrados neste mês na região, como furto de bebidas alcoólicas, danos ao patrimônio e perturbação do sossego. Cada ocorrência será apurada separadamente, em autos próprios de ato infracional.

Paralelamente, três adultos foram indiciados por suspeita de coação no curso do processo. Eles são pais e um tio de adolescentes investigados. Segundo a Polícia Civil, dois deles são empresários e o terceiro é advogado. As condutas atribuídas aos adultos também seguem sob apuração.

O caso provocou forte comoção e mobilização social. No domingo (1º), a Avenida Beira-Mar Norte, uma das principais vias de Florianópolis, foi ocupada por manifestantes que pediam justiça e celeridade nas investigações. O ato contou com trio elétrico, faixas, cartazes e a presença de animais de estimação, encerrando-se por volta do meio-dia.

Manifestações semelhantes ocorreram em outras cidades catarinenses, como Balneário Camboriú, Blumenau, Criciúma e São José, além de capitais como São Paulo, Belo Horizonte e Vitória. Na capital paulista, centenas de pessoas se concentraram na Avenida Paulista, em frente ao MASP, com apoio de coletivos de defesa animal, artistas e influenciadores digitais. O pedido foi unânime: justiça por Orelha e punição aos responsáveis por maus-tratos.


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