A Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar uma possível fraude milionária envolvendo uma construtora com atuação na região de Criciúma. O caso foi detalhado pelo delegado Márcio Campos Neves durante entrevista concedida nesta quarta-feira (21) à Rádio Cidade em Dia 89.9 FM, do Grupo SCTODODIA de Comunicação, à jornalista Manuela Oliveira.
Segundo o delegado, a investigação teve início a partir da denúncia de um casal de Nova Veneza que afirma ter sofrido um prejuízo superior a R$ 5 milhões em contratos firmados com a empresa. A representação criminal foi protocolada em setembro do ano passado, após análise detalhada da documentação por um escritório de advocacia da região.
Documentos robustos e indícios de crime
De acordo com Márcio Campos Neves, os documentos apresentados pelas vítimas são considerados robustos e indicam a possibilidade de prática criminosa, e não apenas um conflito de natureza civil. A Polícia Civil aguarda agora a oitiva de outras possíveis vítimas, já que há relatos da existência de um grupo de aproximadamente 50 credores em situação semelhante.
“Há indicativos de que o mesmo modus operandi pode ter sido aplicado a diversas pessoas, com contratos firmados, valores elevados pagos e empreendimentos que sequer saíram do papel”, explicou o delegado durante a entrevista.
Imóveis sem escritura e obras inexistentes
Conforme as informações levantadas até o momento, alguns dos imóveis comercializados não possuíam sequer escritura ou documentação regular do terreno. Ainda assim, eram anunciados e vendidos, muitas vezes na planta. As vítimas relatam que, ao longo do tempo, eram incentivadas a aportar mais recursos sob a promessa de avanço das obras ou participação societária em novos empreendimentos.
Em vários casos, nenhum dos imóveis foi construído, mesmo após mais de cinco anos desde a assinatura dos contratos. Muitos investidores compraram múltiplas unidades com a intenção de obter renda futura com locação.
Mudança de cidade e novo empreendimento
Outro ponto que chama a atenção da Polícia Civil é o fato de que os sócios da construtora teriam criado uma nova empresa e se mudado para a região de Itapema, onde estariam divulgando e vendendo novos empreendimentos. Segundo o delegado, há relatos de que os investigados mantêm um padrão de vida elevado, enquanto as vítimas acumulam prejuízos milionários.
A investigação também vai analisar informações sobre um pedido de recuperação judicial da empresa, que teria sido negado em razão de indícios de fraude. Há ainda a possibilidade de adoção de medidas assecuratórias para tentar garantir o ressarcimento, ao menos parcial, das vítimas, inclusive com eventual bloqueio de patrimônio dos investigados.
Investigações em fase inicial
O inquérito está em fase inicial, mas, segundo o delegado, o caso recebe tratamento prioritário devido ao volume financeiro envolvido e ao número potencial de vítimas. A Polícia Civil deve avançar nas oitivas, análise documental e cruzamento de informações para confirmar se houve estelionato e outros crimes.
A orientação é para que outras pessoas que se considerem prejudicadas procurem a delegacia para apresentar documentação e colaborar com as investigações.
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