Polícia explica como rastreia golpistas virtuais em Santa Catarina

Delegado de Tubarão detalha à Rádio Cidade como a denúncia rápida ajuda a identificar quadrilhas, bloquear contas e evitar novas vítimas

Leticia Matos

Publicado em: 23 de fevereiro de 2026

7 min.
Polícia explica como rastreia golpistas virtuais em Santa Catarina. - Imagem gerada por I.A.

Polícia explica como rastreia golpistas virtuais em Santa Catarina. - Imagem gerada por I.A.

Os golpes virtuais seguem fazendo vítimas em Santa Catarina e em todo o país. Em Tubarão e região, o crime de estelionato disparou após a pandemia da Covid-19 e, atualmente, está entre os mais praticados no Brasil. Apesar disso, muitos casos sequer chegam ao conhecimento da Polícia Civil.

Segundo o delegado André Crisóstomo, da Delegacia de Investigação Criminal (DIC) de Tubarão, o registro do boletim de ocorrência é o ponto de partida para qualquer investigação e pode ser decisivo para interromper a atuação de quadrilhas.

Em entrevista à Rádio Cidade, o delegado explicou como funciona o rastreamento dos criminosos e por que a demora ou a omissão de informações prejudica as apurações.

Estelionato cresce após a pandemia

De acordo com o delegado, os casos de estelionato aumentaram significativamente após a pandemia e continuam em alta.

“É muito importante que a população registre os boletins de ocorrência comunicando esses fatos, porque a Polícia Civil consegue atuar de maneira mais integrada”, afirmou.

Ele destaca que diversos grupos criminosos atuam em vários estados ao mesmo tempo. Por isso, quanto mais informações chegam às autoridades, maior a chance de identificar padrões e conectar ocorrências registradas em diferentes cidades.

O que acontece após a denúncia

Depois que a vítima formaliza o boletim de ocorrência, a delegacia responsável passa a analisar o caso. Atualmente, os sistemas utilizados pela Polícia Civil permitem comparar ocorrências de diferentes regiões.

Na prática, isso significa que um golpe aplicado em Tubarão pode estar ligado a crimes cometidos em Chapecó, Itajaí ou até em outros estados.

A troca de informações entre delegacias é considerada fundamental. Muitas vezes, uma unidade possui dados que ajudam outra a avançar na identificação dos suspeitos.

Após a análise inicial, os investigadores avaliam:

  • O tipo de golpe aplicado;
  • A forma como o dinheiro foi transferido;
  • Se houve entrega de objetos;
  • Possíveis contas bancárias envolvidas;
  • Registros de câmeras de segurança;
  • Dados cadastrais utilizados na fraude.

Com base nessas informações, são realizadas diligências, muitas delas de caráter sigiloso, para identificar os criminosos e tentar recuperar valores ou bens.

Por que a demora atrapalha a investigação

Um dos principais obstáculos enfrentados pela Polícia Civil é o tempo entre o golpe e o registro da ocorrência.

Segundo o delegado, quando a vítima demora semanas para procurar a polícia, as chances de bloqueio de valores diminuem drasticamente. Imagens de câmeras de segurança podem já ter sido apagadas, e o dinheiro costuma ser rapidamente transferido para outras contas.

“Quanto mais rápido a vítima comunica às forças policiais, mais instrumentos a gente tem para identificar esses criminosos e recuperar o valor”, reforçou.

Vergonha e omissão prejudicam apuração

Outro problema frequente é a vergonha. Muitas vítimas deixam de registrar ocorrência por medo de julgamento ou por acreditarem que “não vai dar em nada”.

Mesmo quando procuram a polícia, algumas acabam omitindo detalhes por constrangimento. Para o delegado, isso pode comprometer toda a investigação.

Ele orienta que a vítima relate exatamente como o golpe aconteceu, sem alterar informações ou esconder dados.

“A omissão de algum dado pode favorecer o criminoso lá na frente”, alertou.

Denunciar é proteger outras pessoas

Mais do que tentar recuperar valores, a denúncia rápida ajuda a:

  • Identificar quadrilhas que atuam em série;
  • Bloquear contas bancárias utilizadas para fraudes;
  • Interromper a cadeia de transferências;
  • Evitar que outras pessoas caiam no mesmo golpe.

A Polícia Civil reforça que registrar boletim de ocorrência é um direito da vítima e um passo essencial no combate ao estelionato.

Em casos de golpe, a orientação é reunir comprovantes, conversas, números de telefone, dados bancários e qualquer outro elemento que possa auxiliar na investigação, além de comunicar o fato imediatamente às autoridades.

Como registrar ocorrência

O boletim pode ser feito presencialmente em uma delegacia ou, em muitos casos, pela Delegacia Eletrônica da Polícia Civil de Santa Catarina.

A rapidez na comunicação aumenta as chances de bloqueio de valores e identificação dos envolvidos.

Diante do crescimento dos golpes virtuais, a principal mensagem das autoridades é clara: denunciar não é motivo de vergonha, é um ato de responsabilidade que pode impedir novas vítimas.


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