Um mês depois, morte do cão Orelha segue cobrando justiça em Florianópolis

Um mês após o crime, Polícia Civil detalha apuração com imagens, perícias e indiciamentos

Redação

Publicado em: 5 de fevereiro de 2026

7 min.
Um mês depois, morte do cão Orelha segue cobrando justiça em Florianópolis - Foto: Reprodução

Um mês depois, morte do cão Orelha segue cobrando justiça em Florianópolis - Foto: Reprodução

A morte do cão comunitário Orelha completa um mês nesta quinta-feira (5), e o caso segue mobilizando moradores da Praia Brava, em Florianópolis, além de organizações de proteção animal. O cachorro morreu após sofrer agressões violentas na madrugada de 4 de janeiro e o episódio deu início a uma complexa investigação da Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC).

Segundo a PCSC, as agressões ocorreram por volta das 5h30 da manhã. Orelha foi socorrido, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no dia seguinte em uma clínica veterinária. Laudos da Polícia Científica apontaram que uma pancada na cabeça foi a principal causa da morte. O objeto utilizado não pôde ser identificado, podendo ter sido um chute ou um instrumento rígido, como madeira ou garrafa.

Adolescente foi indiciado como autor das agressões

Após a análise de provas técnicas e imagens de câmeras de segurança, um adolescente foi indiciado e apontado como responsável pelo ataque que matou o animal. A Polícia Civil também solicitou a internação do investigado, medida que segue sob análise da Justiça.

As investigações revelaram que a ação ocorreu fora do condomínio onde o adolescente alegava estar. Imagens de segurança mostraram a movimentação entre 5h25 e 5h58 da manhã, período em que o autor estava na rua.

Mais de mil horas de imagens analisadas

O inquérito reuniu um volume expressivo de provas:

  • Mais de mil horas de filmagens analisadas
  • Imagens de 14 câmeras de segurança
  • Oitiva de 24 testemunhas
  • Investigação de oito adolescentes
  • Análise de roupas usadas no dia do crime

Para identificar a localização do responsável durante o ataque, a Polícia Civil utilizou um software francês de análise de dados, que auxiliou na reconstrução do trajeto do suspeito.

Tentativa de afogamento e outros crimes na sequência

Um dia após a morte de Orelha, outro cão comunitário da região, Caramelo, sofreu tentativas de afogamento entre a meia-noite e 1h da madrugada do dia 6 de janeiro. O caso envolveu outros três adolescentes e foi registrado oficialmente.

Duas semanas depois, em 20 de janeiro, o delegado-geral da PCSC, Ulisses Gabriel, anunciou que havia adotado Caramelo, garantindo proteção ao animal.

Já Pretinha, a terceira cadela conhecida da região, não foi agredida, mas enfrenta um tratamento contra insuficiência renal crônica. Ela foi adotada por um empresário de São Paulo e é acompanhada por uma equipe de cinco veterinários.

Coação de testemunha e indiciamento de adultos

As investigações também avançaram para outros crimes relacionados ao grupo. Em 11 de janeiro, um porteiro de um condomínio da Praia Brava foi insultado por adolescentes investigados. No mesmo dia, um quiosque da região foi invadido e bebidas foram furtadas.

Dois dias depois, em 13 de janeiro, o mesmo porteiro foi coagido por dois pais e um tio de adolescentes envolvidos. Houve suspeita de uso de arma de fogo para intimidação, mas sem comprovação. Em 27 de janeiro, os três adultos foram indiciados por coação de testemunha. Um deles é advogado e os outros dois são empresários. O inquérito desse caso já foi concluído, segundo a Polícia Civil.

Viagem ao exterior e tentativa de ocultar provas

Durante o andamento da investigação, dois adolescentes viajaram para a Disney no mesmo dia em que a Polícia Civil identificou os principais suspeitos. Um deles foi apontado como o autor das agressões. De acordo com a PCSC, a viagem já estava programada antes do crime.

No retorno ao Brasil, em 29 de janeiro, os adolescentes foram abordados ainda no aeroporto. Um familiar tentou esconder um boné e um moletom usados no dia do crime, peças consideradas fundamentais para a investigação. O jovem admitiu posteriormente que a roupa já era de sua posse antes da viagem.

Um mês depois, o caso segue como símbolo

Orelha era cuidado por moradores da Praia Brava e era conhecido pelo comportamento dócil e pela interação constante com quem frequentava a região. Um mês após sua morte, o caso se transformou em símbolo da luta contra os maus-tratos a animais em Santa Catarina e segue acompanhado de perto pela comunidade.

As investigações da Polícia Civil continuam em andamento para o completo esclarecimento dos fatos e responsabilização de todos os envolvidos.


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