Chuvas deixam 30 mortos e 39 desaparecidos em MG

Juiz de Fora e Ubá decretam calamidade após temporais históricos; milhares estão desabrigados e buscas continuam

Ewertom Rodrigues

Publicado em: 24 de fevereiro de 2026

6 min.
Temporais históricos na Zona da Mata deixam 30 mortos, 39 desaparecidos e mais de 3 mil desabrigados em Minas Gerais

Temporais históricos na Zona da Mata deixam 30 mortos, 39 desaparecidos e mais de 3 mil desabrigados em Minas Gerais. - Foto: Maria Elisa Diniz/TV Integração

As chuvas intensas que atingem a Zona da Mata de Minas Gerais provocaram uma das maiores tragédias climáticas recentes da região. Ao menos 30 pessoas morreram, 39 estão desaparecidas e milhares ficaram desabrigadas em Juiz de Fora, Ubá e municípios vizinhos. As ocorrências começaram na tarde de segunda-feira (23) e se agravaram durante a madrugada desta terça-feira (24), com deslizamentos de terra, desabamentos de casas e rios fora do leito.

Juiz de Fora concentra o maior número de vítimas: são 22 mortes confirmadas e mais de 3 mil pessoas fora de casa. O município decretou estado de calamidade pública, suspendeu as aulas da rede municipal e declarou luto oficial de três dias.

Em Ubá, sete pessoas morreram após o transbordamento do Ribeirão Ubá, que alagou avenidas centrais e bairros inteiros. A 30ª morte foi confirmada na região, mas ainda não houve detalhamento oficial sobre o município.

Fevereiro histórico agrava cenário em Juiz de Fora

De acordo com dados da prefeitura, fevereiro já soma 584 milímetros de chuva — o dobro da média prevista para o mês — tornando-se o mais chuvoso da história da cidade.

O volume excepcional de água, aliado ao relevo acidentado, com morros e encostas densamente ocupadas, ampliou o risco de deslizamentos. Pelo menos 600 famílias devem deixar suas casas preventivamente.

Entre os bairros mais afetados estão JK, Santa Rita, Vila Ideal, Lourdes, Vila Alpina, São Benedito e Vila Olavo Costa.

No Parque Burnier, 12 casas desabaram. Segundo o Corpo de Bombeiros, 20 pessoas estão desaparecidas na área, entre elas crianças. Nove moradores foram resgatados com vida e quatro morreram no local.

No Bairro Cerâmica, duas residências ruíram e cinco pessoas da mesma família seguem soterradas. Mais de 20 militares, equipes com cães farejadores, Defesa Civil, Polícia Militar e servidores municipais atuam nas buscas.

O Rio Paraibuna e diversos córregos transbordaram. Pontes, acessos ao Centro e o mergulhão foram interditados. Árvores caídas e vias bloqueadas dificultam o deslocamento das equipes de resgate.

Ubá vive maior inundação dos últimos anos

Em Ubá, choveu 124 milímetros em apenas seis horas, volume considerado extremo pela administração municipal. A prefeitura classificou o episódio como a maior inundação dos últimos anos.

A força da enxurrada invadiu o Centro da cidade e arrastou veículos e estruturas comerciais. Equipes do Corpo de Bombeiros, Guarda Municipal e Defesa Civil seguem mobilizadas para atendimento às famílias e levantamento dos prejuízos.

Calamidade pública e apoio federal

Além de Juiz de Fora, o município de Matias Barbosa também decretou estado de calamidade pública. A medida permite acesso facilitado a recursos federais, agiliza contratações emergenciais e amplia a capacidade de resposta.

O Ministério da Defesa informou que foi acionado para apoiar as ações de resgate e reconstrução. Entre as medidas previstas estão o envio de viaturas, tropas para limpeza e desobstrução de vias, remoção de escombros, apoio logístico e uso de helicópteros em operações humanitárias.

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, decretou luto oficial de três dias no estado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também manifestou solidariedade às vítimas e às equipes que atuam nas buscas.

O que se sabe até agora

  • 30 mortos confirmados na região
  • 39 pessoas desaparecidas
  • Mais de 3 mil desabrigados apenas em Juiz de Fora
  • 584 mm de chuva acumulados em fevereiro na cidade
  • 124 mm registrados em seis horas em Ubá
  • Ao menos 20 ocorrências de soterramento

As buscas continuam e há previsão de mais chuva para a região, o que mantém o alerta das autoridades. A Defesa Civil orienta moradores de áreas de risco a deixarem suas casas ao menor sinal de instabilidade do solo.

A tragédia reacende o debate sobre ocupação de encostas, drenagem urbana e planejamento frente a eventos climáticos extremos, cada vez mais frequentes no país.


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